25 abril 2008

Abril, 25

Quando Portugal celebra, uma vez mais, o 25 de Abril, aquilo que me apetece dizer é que não há mais nada a dizer, a não ser repetir aquilo que tem vindo a ser dito e redito ao longo destes últimos mais de trinta anos, numa espécie de perpétuo retorno, qual Primavera que nos visita ano após ano sem qualquer alteração substancial e digna de registo. Este é, tem sido, um registo monocórdico e apático, comatoso e sem sabor, no qual já poucos acreditam. É que ano após ano as referências, os valores, os ideais, as promessas de um amanhã sempre melhor e maior são reproduzidas sem haver, no entanto e na vida real dos portugueses, daqueles que não comemoram coisíssima nenhuma, uma correspondência entre a doutrina e a práxis, ou como se costuma dizer, sem bater a cara com a careta, ou ainda, se preferirem, a bota com a perdigota.
Por outro lado, toda a teoria elaborada e produzida em torno desses tais valores, não encontra na sociedade do hoje uma consequência ou um resultado directo e lógico desse acto primeiro e refundador de uma sociedade, mas sim algo de estranho, desvitalizado e degenerado de uma coisa qualquer.
Aquilo que deveríamos todos fazer era reflectir verdadeiramente sobre a tradução cultural e social que foi e é o facto de 1974, ocorrido num dia 25 de Abril. Oportunidade de transformação, de rejuvenescimento, de inovação e de valorização da sociedade, da economia, da cultura, dos indivíduos e da civilização. Passados todos estes dias, teremos conseguido!?... Terão as elites políticas e sociais conseguido transformar o nosso país!?... Uns dirão que sim, outros que não, outros ainda dirão que vamos indo… Pois vamos, mas esse é o nosso grande problema… vamos por onde e para onde!?... Que perspectivas poderemos ter quando toda a nossa experiência sensorial nos alerta:
- Enquanto o comum dos portugueses se reduz à sua insignificância económica, a banca, esse Olimpo dos lucros divinos, dá-se ao luxo de doar empréstimos a uns poucos…
- Governos que alteram sem roque a lei penal e passado não muito tempo as ruas do dia-a-dia ressentem-se… não adianta virem aos holofotes da comunicação social com a verborreia das estatísticas oficiais, pois a rua que esses mesmos não frequentam, vive sobressaltada com a extrema violência de uma criminalidade crescente…
- O estado investe incontáveis milhões em paraísos fiscais e depois, não sabendo o que fazer com os lucros de tais operações secretas, garante financeiramente a participação de um tal piloto português, importará aqui repetir português, no circo da fórmula 1…
- Dia após dia, somos obrigados a saber que os despedimentos são às centenas de cada vez… tantas e muitas são as vezes. Talvez aqui também se possa aplicar o termo que alguns tanto gostam: escala. De facto o desemprego em Portugal adquiriu escala e assim podemos afirmar com verdade que o desemprego é hoje um sucesso nacional…
- Governos que liberalizam os preços finais dos combustíveis, em actos muito reflectidos e ponderados, com a segurança e certeza de reais descidas dos preços da venda ao consumidor, só que, e desde então, essa liberalização só resultou na mais desenfreada das libertinagens…
- Governos cujos ministros dizem e depois desdizem sem qualquer reserva de pudor ou de respeito pela inteligência dos demais, ou então, ministros que passam a ex-ministros e logo depois ingressam numa promissora e ambiciosa carreira de administradores públicos e/ou privados…
- Governos cuja estratégia para a saúde nacional é trocar médicos e hospitais por helicópteros, mas que deixa morrer cidadãos contribuintes que moram a poucos metros de um hospital… cuja estratégia para a educação é o facilitismo que leva directa e rapidamente à iliteracia e à incompetência, mas permite esse objectivo supremo que é alinhar as estatísticas nacionais da educação com as congéneres europeias… cuja estratégia é a aposta nos serviços públicos mínimos…cuja estratégia nacional é, enfim, um fado!...
Estes são apenas alguns exemplos, que sei consideram demagógicos, mas há mais e mais e vocês todos sabem-no. Tenho para mim que para alguns, a culpa de tudo isto é dos órgãos de comunicação social que teimam em impor à sociedade esse incómodo que é a informação e o conhecimento. Uma sociedade constituída por indivíduos que, passiva e acriticamente, aceitam estas circunstâncias não fez, não faz e não fará um 25 de Abril.
Bem gostaria de poder estar aqui a projectar um futuro novo traduzido de um presente ambicioso, mas não estou e, aproveitando as palavras de Ervin Goffman, eu diria para terminar, que os momentos são dos seus homens, mas estes homens permitiram que o momento, este momento, se transformasse num não-momento.

23 abril 2008

Dia mundial do livro e dos direitos de autor que se assinala hoje em todo o mundo, pelo menos naquela parte dele que está às claras... porque a outra (parte) não entra na estatística. Até quando!?...

20 abril 2008

pelo esforço daquilo que também somos nós

- 17 horas do dia 19 de Abril de 2008 -



19 abril 2008

Ignomínia

Um dia que aguardava com alguma ansiedade e que até começou bem, perspectivando-se assim agradável e de boas sensações, não foi preciso esperar pela noite para tudo parecer bastante desagradável e desconfortável.
A crítica e a opinião contrária nunca me amedontraram ou desagradaram, nem tão pouco evito um debate de ideias, uma altercação, uma controvérsia ou uma discussão. Quem me conhece sabe que até todas estas circunstâncias me atraem e me despertam os sentidos e mais.
Aquilo que me derrota, sinceramente, é a difamação e a infámia, principalmente quando, por mais que tentemos, instropectiva e racionalmente, não a compreendemos por não corresponder à verdade. Essa que, sabemos, terá sempre mais do que uma verdade, mas neste caso em particular, uma única e verdadeira.
A consciência tranquila daquilo que sempre fiz e faço, permitirão o esquecimento do sucedido, num dia qualquer destes. No entretanto conseguiram apurriar-me e eu não estou a gostar.
Talvez estas palavras sirvam de catarze para aquilo que aconteceu hoje, no tal dia que eu previra bom. Engano meu e, agora que o dia é quase outro, continuo sem perceber muito bem porquê.
Sempre pensei que hoje esta entrada fosse dedicada a algo com mais "cor" e mais "sabor", mas por razões várias, nomeadamente, por causa deste azedume biliar, essas boas vibrações ficam para amanhã ou depois.

09 abril 2008

07 abril 2008

E assim o dia fica ganho

Sabe sempre bem. Sei que sim. Quem não gosta de um bom comentário ou elogio!?... Fará sempre comichão ao ego e à auto-estima sermos apreciados. Hoje, o meu dia ficou ganho logo pela hora de almoço... então não é que uma amiga, num cumprimento de quem não se vê há uns dias, enquanto descolava a sua face da minha, diz-me: "- Tás mais magro!". Eu queria acreditar na verdade das suas palavras, mas a crua realidade do espelho e da balança (lugar que visito uma ou duas vezes por ano) dizem que afinal a simpatia da amiga foi uma hipérbole. Para tristeza minha. Mas isso não diminuiu a satisfação do momento, que para mim foi tanto ou mais do que me segredarem: "- Tás tão bonito!"

04 abril 2008

Estranhezas

Viajo para Lisboa de comboio logo bem de manhã. Chego à estação do Oriente às 8.30 am, o que me permite chegar a horas e com calma ao meu destino. Colóquio Inaugural da Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões (APERLG) que acontece hoje e amanhã no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A manhã passou-se deambulando de sala em sala consoante os assuntos abordados me interessavam ou não. O almoço estava combinado com o cunhado, que entretanto já me trouxera da estação até ao ISCTE. Às 13 horas recebo via SMS: "Vou almoçar com o contabilista."
Com o calhau do portátil mais livros e dossiers às costas lá saio à procura de um tasco para comer alguma coisa. O ICS fica perto de Entrecampos (não que interesse muito), mas é uma zona de Lisboa bastante movimentada e com muitos serviços e empresas. Mesmo antes de entrar no restaurante self-service procuro um quiosque para comprar o Público. Quando me aproximo da rotunda principal, apercebo-me que de cada lado da rotunda há um quiosque. Ao primeiro que vou, o mais próximo, não tem jornais... só Ginas, livros usados e consporcados... atravesso a avenida em direcção ao segundo quiosque, que fica mesmo em e de frente para a porta do Pingo Doce Supermercado. Reparei logo que tinha o jornal pretendido. A Senhora (reparem que a trato dignamente) que estava dentro do quiosque a atender, nem sequer me dirigiu o olhar. Estranhando tal atitude, pedi o jornal Público e, acto contínuo estico-lhe uma nota de 10 euros, que no momento era a unidade monetária mais pequena que possuía. Para conseguirem visualizar o que se passou de seguida, será necessário terem em mente a arquitectura dos quiosques de Lisboa (pelo menos grande parte deles) que são bem diferentes dos que temos no País. O vendedor está dentro e entre ele e os clientes estão todos os artigos expostos numa extensão superior ao comprimento do braço de uma pessoa normal, do meu. Alí estava então eu de braço esticado com a tal nota de 10 euros para pagar 1,40 euros do jornal. A Senhora olhou para mim, reagindo à minha solicitação, olhou para a nota que lhe apresentava, olhou para a caixa do dinheiro... e vejam lá... ignorou-me!... começou a atender outros clientes como se eu não estivesse ali. Não me vendeu o jornal, não me quis vender um jornal. A Senhora nem se dignou a dizer-me uma palavra... fiquei completamente sem reacção, de braço aberto com a nota estendida... até que me apercebi e afastei-me. Atravessei mais uma avenida (já estou no lado oposto da rotunda) e vou ao terceiro quiosque, que educadamente me informou que já não tinha o Público. Atravesso mais uma avenida e, finalmente, lá consigo comprar o jornal. Nem sei como não desisti, ainda por cima sabia que a edição seria a de Lisboa, mas como já dera a volta à rotunda...
Entro no tal restaurante, pego num tabuleiro, num prato, nos talheres, coloco-me na fila atrás de outras pessoas que vão escolhendo os diferentes alimentos. Coloco 3 pedaços de tomate, 1 fatia de queijo fresco e... não havia mais comida!... apenas ananás assado e ovos estrelados... e noutro tabuleiro um, apenas um peixe manhoso, frito ou assado inteiro e com uns grandes olhos esbugalhados... nojento. Pousei o tabuleiro, encostei-me ao balcão e almocei um croquete com um copo de coca-cola.
O resto do dia até correu bem.

02 abril 2008

Baú da Memória IV

Passam hoje nove anos (2 de Abril de 1999) que faleceu D. Manuel António Pires, antigo bispo titular de Silva Porto, actual Kuito, capital da província do Bié, em Angola. Personalidade que tive o prazer de conhecer e, a espaços, conviver. Recordo com alguma nostalgia certos momentos, como aquele em que depois de um almoço de família (alargada), do alto dos seus tranquilos oitenta anos, disse:
"Pois olhai, estava tudo muito bom!... Sabeis, os antigos romanos tinham por hábito, no fim de cada dia, apanhar 1 pedrinha do chão que levavam e guardavam em casa. Se o dia tinha corrido bem, apanhavam pedrinhas brancas, se o dia correra menos bem recolhiam pedrinhas pretas. Ao longo da vida podiam ir percebendo se tinham mais dias bons ou maus. Eu hoje aqui convosco acabei de apanhar a minha pedrinha branca..."
A verdade é que tenho pena de não ter conhecido melhor este amigo. Não sei se tive oportunidade!?... talvez não.

01 abril 2008

Será em Algés

E eu que já planeara uma viagem até Sevilha para o próximo mês de Julho, fiquei muito contente com a notícia que o enorme Coehen vem nesse mesmo mês também a Lisboa, será a 19 no Passeio Marítimo de Algés. É daquelas experiências que, confesso, nunca pensei possíveis. Bastou um telefonema da cara metade, avisando o início da venda dos bilhetes, para de imediato e pela primeira vez, recorrer ao portal da TicketLine e por apenas mais 2 euros, ter em minha casa e na minha mão dois bilhetes personalizados. Admirado e surpreendido fiquei com a rapidez do serviço, não foram precisas mais de 24 horas para os receber na minha caixa do correio. Para que não haja dúvidas...

31 março 2008

Nove Anos

A certeza de uma presença, distante ou próxima, mas inequívoca. O uso de palavras é não obrigatório e a quantidade é sempre dispensável a favor da qualidade. No turbilhão diário que repele e afasta os corpos, a tranquilidade de um toque ou carícia no mais tardar dos momentos. Assim tem sido ao longo destes primeiros nove anos.

27 março 2008

Novo tempo, tempo de eleições

Apesar de ser notícia já do dia de ontem, não posso deixar de assinalar a inversão do discurso e, a ver vamos, da prática do Eng. Socrates e seu governo. Não há qualquer dúvida que o dia 26 de Março de 2008 marca o início do processo eleitoral das legislativas de 2009. Temos agora um governo a trabalhar e em esforço, para a reeleição do seu primeiro.

26 março 2008

Ofícina

Dia de decisões: tipo de letra, paginação, acabamento, capa, contra-capa, côr, e fotografias... por terras de Alpiarça o dia todo, pelo menos até ao fim do dia, porque depois outra música tocará.

22 março 2008

à descoberta...

41º 47'02" N 6º 55'14" O, a 984 de altitude.


perdido algures nesta mancha de floresta, talvez no centro desta fotografia... lá consegui descobrir o que buscava... carece confirmação.

18 março 2008

A Crédito

É conhecido o vício de consumismo que os portugueses têm, ainda agora e a propósito das férias da Páscoa, ficámos a saber que são muitos os portugas que partem para destinos vários, naquilo que considero um acto irreflectido de consumismo, principalmente para aqueles que o fazem à custa do dinheiro que hão-de ganhar durante os próximos até 60 meses. Como é fácil comprar dinheiro!... é tão fácil comprar dinheiro que até já as farmácias criaram um cartão de crédito para os utentes poderem ir às farmácias e consumirem à vontade e só pagarem até 90 dias. Até aqui se sente a voracidade da banca que, qual lobo em pele de cordeiro, serve-se da miséria social e económica dos individuos para mais tarde apresentar resultados fabulosos e ser considerada, pelo poder vigente, uma mais valia para a economia do país...
Reflectindo um pouco sobre a notícia, podemos compreender bem a boa aceitação por parte dos utentes, que só no primeiro dia da existência deste cartão, subscreveu cerca de cinco mil cartões, na medida exacta da extrema dificuldade que uma parte considerável da nossa sociedade sente para sobreviver a cada dia que passa.
Não é assim que se combate a exclusão ao direito constitucional que é a saúde.

Acordo Ortográfico

Se há assunto que me tem remexido as entranhas é este putativo acordo ortográfico que a comunidade de países que se expressam através da língua portuguesa se preparam para ratificar. Nos últimos dias, a comunicação social e a blogosfera têm relançado este problema (de identidade) o que demonstra, para além das diferentes sensibilidades, diversas indisposições acerca do mesmo. Por aqui, eu, já dei alguns sinais dessa indisposição, mas consciente das minhas limitações para abordar o assunto, dado o meu desconhecimento técnico, não terei sido muito afirmativo.
Contudo, a entrevista dada por Vasco Graça Moura no Programa "Diga Lá Excelência" do último fim-de-semana, deu-me alento para retornar a esta discussão, uma vez que, de uma forma simples mas fundamentada, diz aquilo que eu considero serem as verdadeiras razões para esta pantomina, ou seja, os interesses da actividade livreira e editorial brasileira, que acabam por ser os grandes beneficiados com a introdução deste acordo e a sua não existência é um travão à penetração do livro brasileiro. Mas isso é ou não do interesse geoestratégico português? Vasco Graça Moura põe a hipótese de requerer a inconstitucionalidade desta proposta de acordo, na medida em que a a grafia transporta consigo uma carga de informação histórica, cultural e etimológica.
Mesmo leigo e desconhecedor do texto deste acordo, importa fazer algumas considerações, para as quais me socorri do artigo na wikipédia, indicado no blog Causa Nossa por Vital Moreira, diga-se, apoiante do acordo em apreço.
Apesar de ser publicitado como um acordo de toda a CPLP, toda as questões conhecidas, se resumem aos caracteres diferentes entre Portugal e Brasil. Para além disto, a verdade é que até à data só o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ratificaram o acordo.
Depois, o Vocabulário Ortográfico Comum, objecto e objectivo último deste acordo, pretendia-se o tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas. Só que ainda pouco está feito neste sentido e, por isso, sem vocabulário comum é impossível haver uma língua em comum.
São vários os argumentos a favor deste acordo:
- As ortografias oficiais diferentes levam a grandes custos de produção e edição de livros e dicionários e, consequentemente, a uma maior demora de edição, o que contribui para a fraca difusão da lingua portuguesa, apesar de ser uma das mais faladas do mundo;
- O esforço de cooperação de Portugal e Brasil com os restantes PALOP em acções de difusão e fortelecimento da língua;
- Condição essencial para a definição de uma política linguística de bases comuns na CPLP;
Como críticas ao mesmo acordo são enumerados os seguintes argumentos:
- Alguns linguístas defendem a ortografia etimológica em detrimento da ortografia puramente fonética das palavras. Como as reformas ortográficas tendem a suprimir consoantes mudas e a padronizar a correspondência entre grafemas e fonemas, esses linguístas opõem-se a ela;
- Portugal tem hesitado na introdução do Acordo, nomeadamente, alguns editores têm alertado para os elevados custos para a adaptação de dicionários e outros livros às novas regras. O Acordo mexe muito na maneira de escrever, mas também nos interesses nacionais da cultura, literatura e educação.
- É, de facto, uma facilidade para as editoras brasileiras conquistarem novos mercados, nomeadamente em países africanos;
- Alguns linguistas portugueses têm afirmado que a adopção deste acordo seria uma "abrasileiração" da escrita e que a variante lusitana da língua saíria afectada;
Independentemente dos argumentos esgrimados, não percebo a necessidade, a oportunidade, a validade e o interesse desta intenção dos nossos governos. O que é que Portugal e, principalmente, a língua portuguesa beneficiará com este acordo!?... Digo mais, não entendo como mais valia para a língua portuguesa o facto de os brasileiros se exprimirem naquilo que dizem ser português... se é que é português!? Chamem-lhe o que quiserem. Assim, o movimento deveria ser o inverso e o Brasil deveria impor e instituir uma língua independente, o brasileiro. Aliás, o argumento da normalização não colhe, pois a compreensão da oralidade e da escrita nunca esteve em dúvida. Particularmente, por motivações académicas, já contactei com inúmeros textos e documentos traduzidos em português do Brasil e nunca isso foi impeditivo da compreensão desses mesmos textos. Querer impor normas e formas de expressão a realidades tão distintas é um erro e a gramática do português não o merece. Sem fundamentalismos ou puritarismos exarcebados, gostaria de sentir mais inconformismo e mais discussão pública sobre esta importante questão. Declaro-me contra esta intenção e, por isso, militantemente assinei a petição online e convido a todos a repetir o gesto. Basta seguir a etiqueta desta mensagem.

16 março 2008

Em água e rela

e depois de um periodo sem disposição para "alimentar" este nosso lugar, nada melhor do que um original para reiniciar uma nova fase. Da Ia...

27 fevereiro 2008

Presente Atrasado

(proposta de alteração em sede de revisão gramatical)

Hoje, o tempo existêncial, aquele que vivemos, convencionou-se designar por presente e a noção que desde sempre existiu sobre o tempo, é o fatal e o pragmático agora. Este agora, presente, é quem permite que possámos ter a noção de temporalidade, daquilo que é, daquilo que foi e daquilo que será.
Hoje, nos dias de, essa existência temporal não obedece aos mesmos critérios de antanho. Vemo-nos enredados num precipitado cronómetro que nos obriga a estar e a não estar, a partir e a chegar, a ir e a vir, daqui para alí, dacolá para aqui, e nem damos conta do frenesim e da velocidade em que subsistimos.
Rodeados estamos de avisadores do tempo. Nunca como hoje houve tanto relógio per cápita... para além do tradicional relógio de pulso (que apesar de tudo, apesar da quase inutilidade, reduzido a mero adereço estético, ainda se usa...), temos acesso ao tempo a cada instante. Não há equipamento ou ferramenta que não exiba, em 1º plano, o seu contador de horas: telemóveis, televisores, aparelhagens sonoras, veículos, micro-ondas, fogões, fornos, frigoríficos, computadores, impressoras, banheiras, etc., etc. Todos eles contribuindo para conseguirmos viver a horas e cumprir "our schedule"... mesmo assim, não conseguimos, andamos em crónico atraso. A vida é um eterno atraso!...
Por isso proponho que se faça uma revisão gramatical (bem mais oportuna que o ignóbil acordo ortográfico) e se crie um novo tempo verbal: O Presente Atrasado, que passaria a ser a forma verbal a utilizar quando nos referimos à nossa condição quotidiana, de eminentemente atrasados.
Ilustração: Reunião marcada para as 17.30 no Porto. Chego às 17.15 ao local combinado. São 17.45 e continuo no local combinado à espera. Aproveito este tempo Presente Atrasado para colocar este ponto final.

26 fevereiro 2008

Last Note

Dearest, I feel certain I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.I don't think two people could have been happier than we have been.
V.
(Virginia Woolf's suicide note to her husband Leonard - March 1941)

22 fevereiro 2008

Inépcia Literária

Muita gente, se calhar eu também, acredita que há uma idade própria para cada "coisa". Admito que nunca dei muita importância a essa máxima popular, mas do alto da minha sapiência, dou comigo a ponderar determinados resultados, face a prováveis causas e a concluir que, presumivelmente, o factor idade e/ou maturidade também influência esses mesmos resultados.
Tudo isto virá a propósito da minha mais recente constatação: não consigo ler António Lobo Antunes (como me feriu o ser e me derrotou). Já por diversas vezes tentara: "Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura", "Tratado das Paixões da Alma", mas não, nunca consegui. Nesta última experiência, tentei ler o livro "Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo", mas o que é certo é que li cerca de 70 páginas e não percebi nada... absolutamente nada! Por isso, a decisão final... de não mais tentar ler este autor até uma outra idade maior, muito maior. Tenho pena... mas não é a primeira vez que tal me acontece, pois sucedeu o mesmo com Virgínia Woolf, que em tempos decidi experimentar e o resultado foi o mesmo. Na altura, e enquanto recolocava o livro "As Ondas" na prateleira, disse para mim próprio que um dia o recuperaria.
Derrotado, porque poderei estar perante os meus limites, naquilo que ficou mundialmente conhecido por COMPLEXO de PETER, que afirma que todos os individuos evoluem e são eficientes até determinado patamar, a partir do qual, não conseguem mais ser competentes, ou seja, todos nós atingimos o nosso nível de incompetência.
Entretanto, e por outro lado, até na leitura podemos aplicar essa máxima das idades, pois a minha experiência diz-me que existirão livros e autores, mas principalmente, linguagens e formas de escrever para cada idade. Quando jovem, lembro-me de ter descoberto a literatura de Miguel Esteves Cardoso e de ter devorado títulos como: "Viver todos os dias cansa", "O Amor é fodido", "A Causa das Coisas", entre outros. No entanto, hoje, e apesar de gostar das suas crónicas que aqui e acolá vamos encontrando na imprensa, não me cativa minimamente qualquer dos seus livros.
No fundo e na verdade, esta constatação pessoal e intransmissível é de menor importância, pois mesmo para a minha inépcia literária, haverá mais do que literatura suficiente para eu nunca conseguir ler tudo...

20 fevereiro 2008

Avulsas

(a propósito da ASAE)
...andam para aí obcecados com os critérios e normas de higiene e salubridade e, ao mesmo tempo, deixam-nos andar nos autocarros, amassados uns contra os outros, e quando um qualquer espirra (e uma tonelada de micróbios, bactérias e virus se libertam e invadem os poros dos demais), estes docilmente agradecem com um simpático "santinho(a)".... !?

(a propósito da pedofilia)
...como os tempos são diferentes!?... diz o meu pai e com razão: no meu tempo de Professor, quando nos calhava a 1ª classe, tínhamos que dedicar muito tempo a cada um dos miudos. Muitas vezes, àqueles que sentia mais carentes, de forma a cativá-los motivá-los, sentava-os ao colo e explicava-lhes individualmente, e com calma, a lição. Qual é o docente ou professor que, nos dias de agora, se atreve a tamanha intimidade!?...

18 fevereiro 2008

O Novo Eterno Retorno

Quase me apetecia não escrever o que fosse acerca desta imagem, mas vou escrever e só isto. Afinal, os (eco)sistemas ainda funcionam...

bem perto de Bragança

14 fevereiro 2008

Feliz Coincidência

No dia em que se festeja o dia do Valentim, esse estranho e anônimo que muitos consideram santo, a Europa assinala, também, o dia da disfunção eréctil. Feliz coincidência, sem dúvida... profiláctica e pedagógica metáfora que avisa a todas aquilo que são os perigos do uso do eréctil.

08 fevereiro 2008

O Som que Ouço

Digamos que motivado pela leitura e audição do mais recente post do Homem Moderno no seu blog, faço um exercício que muitos (e eu incluo-me nesse grupo) consideram injusto e pouco autêntico: o eleger o som que mais me agrada. Muitos foram já aqueles que conseguiram seleccionar a sua elite musical e fizeram questão de que o (resto do seu) mundo o soubesse. Embora já tenha pensado muitas vezes nisso, nunca como hoje, reflecti sobre quem são, de facto, aqueles(as) que comparticipam para a minha existência.
Eis a questão: Que som eu ouço?...
Pode ser que, comparado com alguns (muitos), eu seja um ignorante ou um desconhecedor do muito que se vai fazendo por esse mundo fora. Contudo, e mesmo tendo acesso a muita, variada e boa produção, que me chega através de meus irmãos, não consigo eleger mais do que um punhado de exemplares, que na minha escala de qualidade estão no top... e desconfio que por lá ficarão.
Antes de mais, a referência obrigatória, por respeito à minha história e ao meu crescimento, aos DOORS, esse mito da eterna juventude e que, ainda hoje, apesar de conjunturalmente ignorado pelas novas gerações, continua a ser sinónimo da excelência poética e musical.
São quatro, aqueles que, na verdade, estão lá, no meu cimo musical:
- Leonard Cohen, pelo veludo, pela luxúria dos ambientes criados e pela tez das suas palavras - que pena tenho eu saber que tudo isto findará...
- Beck, pela loucura e irreverência sonora;
- Nick Cave, pela complexa e arrogante maturidade - lá estaremos, na cidade também minha e no Abril;
- Tindersticks, pela harmonia, pela simbiose e pela simplicidade - sentidamente, a companhia perfeita para os fios de horas sós... noite ou dia, ténua ou ruidosamente;
Sei a extrema subjectividade e relatividade destes juízos de valor, mas o meu veredicto, idóneo e honesto, assim é.

Entrudo

06 fevereiro 2008

I'm Fucking Matt Damon

Esta maluca, a Sarah Silverman, foi ao programa de Jimmy Kimmel, na realidade seu namorado, e fez isto...

04 fevereiro 2008

Primeiro Telefonema

Numa tarde de Sábado de um Outono longínquo, em que nada se predispunha para ficar registado na história, um toque remoto, nada presente, que me atormenta a paz. Lentamente, o som torna-se mais próximo, mais intenso e irritante, até que de vez me desperta de um torpor febril. Estranho ninguém atender e a letargia própria destes estados alterados de consciência impede-me de o fazer de imediato. A insistência é tal que me obriga a agir.
Enquanto vou descendo as escadas, mantenho a esperança de que, seja quem for, entretanto desista e o telefone se cale… Mas não, ainda fui a tempo de atender. Sentado no antepenúltimo degrau das escadas, desnudado e completamente alheado da existência, atendo com um soturno Estou!?... Do outro lado, uma voz trémula e quase desconhecida pergunta-me se sou eu (!?)… Um forte tremor pelo corpo, talvez da febre, talvez do frio, concerteza por reconhecer aquela voz, faz-me finalmente avivar e apurar os sentidos.
Depois de um intervalo no tempo em que nada aconteceu e as distâncias impuseram as suas forças, num sotaque estranho, um sussurro doce, que me diz a falta, que me diz a saudade e a vontade de ver e estar. Num delírio, que não recordo bem, trocamos algumas simples e ambíguas palavras.
Despeço-me com a promessa (incerta) de um encontro breve, pouso o auscultador do telefone e regresso ao aconchego dos lençóis, num estado de espírito eufórico com a corajosa atitude e, com o mel da sua voz, adormeço na febre daquela tarde de Outono.

31 janeiro 2008

Agora Escolha

Figura 1



Figura 2


Para capa do próximo grande sucesso editorial, em breve nas melhores livrarias (e mercearias) do país e arredores, estou indeciso entre estas duas ilustrações. Sem poder dizer muito mais acerca das mesmas, agradeço doutos pareceres...

29 janeiro 2008

Não o Amor

Não o amor, mas os arredores é que vale a pena...
A repressão do amor ilumina os fenómenos dele com muito mais clareza que a mesma experiência. Há virgindades de grande entendimento. Agir compensa mas confunde. Possuir é ser possuído, e portanto perder-se. Só a ideia atinge, sem se estragar, o conhecimento da realidade.
Bernardo Soares in Livro do Desassossego

25 janeiro 2008

Reais Achados Virtuais

Como terão já verificado (ou não!?... cá estou com a mania de que estou a escrever para resmas de pessoas... e imagino eu, todas inteligentes e bonitas e, principalmente, com pinta... seja isso o que for...), ao longo destes fragmentos de tempo em que vou partilhando aquilo que me dói, aquilo que me irrita, ou também, aquilo que me apraz e aquilo que me surpreende, usei, fundamentalmente, o texto, depois e com alguma frequência a imagem, que para mim, funciona sempre como uma hipérbole da condição humana, ou como exaltação do espaço e do tempo que nos rodeia. Ao longo desses tantos fragmentos expostos, foram raras as vezes que usei o video (talvez umas três ou quatro). Quando assim aconteceu, foram, de facto, momentos excepcionais que tinham por objectivo enfatizar a qualidade desses fragmentos.
Ainda na noite de ontem aconteceu uma desses raros momentos. Foi uma noite que, apesar de mal, muito mal dormida, se passou muito bem... foram horas a fio no Youtube à procura dos tais momentos únicos, que de tanto valor terem, a prosa não os consegue adjectivar. Por assim o considerar, vou reincidir...

24 janeiro 2008

Because all growing up

Assinalo, hoje, os 365 dias deste meu espaço de partilha.

Perfume... ou o rasto da Lesma

Estão a ver, neste fotografia, o rasto de baba ou nhanha que a Lesma deixa atrás de si!?... Pois é esta a imagem que me ocorre sempre que me cruzo com alguém que deixa, atrás de si, um rasto odorífico que nos obriga a inalar tais odores.
Vão-me desculpar os amantes desta prática poluente, mas se eu mandasse, fazia, tal e qual, como o actual governo da nação fez com a lei do tabaco. Se é verdade que é extremamente desagradável, quando frequentamos lugares e transportes públicos, sentir os odores corporais, também não é menos desagradável levar com os cheiros, que de tão intensos, se entranham e, depois, passamos a estar todos perfumados, naquilo a que se pode chamar de perfumados passivos…
Desconfio que esta gente que se encharca, diariamente, nestas fragrâncias se viciou e está completamente dependente dessas substâncias. Os seus organismos estão infectados: células, órgãos, sangue e cérebro cheirarão a essas substâncias(!?).
Depois, pergunto-me, também, porquê é que existe tal necessidade!?... Se não é vicio, só pode ser para ocultar, ou disfarçar algo… aliás, segundo reza a história, a generalização do uso de “cheiros” ocorreu na corte francesa, a partir do século XVIII, para disfarçar a falta de higiene pessoal, a corte banhava-se em fragrâncias.
Quando experimento um momento rasto da lesma, imagino também um cenário de maior intimidade, em que dois ou mais seres se descobrem, se tocam e se provam. Considerem, agora, o que os especialistas da temática, conhecidos mundialmente por “Narizes” ou, no original francês “Nez”, dizem: ao aplicar-se o perfume sobre a pele, o calor do corpo evapora o álcool (ou ingere-o) rapidamente, deixando as substâncias aromáticas, que se dissipam gradualmente durante várias horas e, por isso, o perfume deve ser aplicado nas partes mais quentes do corpo, como nos pulsos, na nuca, entre os seios ou atrás dos joelhos, todos eles locais onde existem veias de bom calibre.
Já podem antever onde este meio devaneio nos levará!?... Pois é!...
Beijar um pescoço com sabor ácido a Âmbar Gris, que não é mais do que uma secreção rejeitada pelo Cachalote, ou então, trincar um mamilo com odor a Musk (almíscar) que provém de uma cabra do Tibete, ou ainda, lamber uma barriguinha light que saiba a Civete que é, pura e simplesmente, algo que é extraído do gato selvagem da Abissínia, não são para mim sensações agradáveis e estimulantes, tal como seria suposto para estes momentos de tal intimidade.
Não conseguindo esquecer a imagem do rasto da lesma, considero imperativa a criação de um movimento nacional contra o perfume e demais derivados. É que perfumar mata e, como tal, o Estado deveria obrigar os produtores a indicarem, nas próprias embalagens, os riscos e as consequências negativas para a saúde individual e, principalmente, para a saúde pública, que o uso frequente e abusivo destes produtos, potencia.

Nota: Recuso-me a dissertar sobre todos e todas as Patchouli’s que diariamente infestam as nossas avenidas.

22 janeiro 2008

Trás do Maninho

Nome de rua
Rua de dois, de todos os sentidos
Sentido nome de lugar
Lugar prenhe de memórias
Memórias de um outro tempo
Tempo de berço para a minha meninice
Meninice naqueles descuidados espaços
Espaços das alegrias e mil alegorias
Alegorias como assombrosas recordações
Recordações que trouxe e bem comigo

Não tivesse havido o recente entusiasmo com a possibilidade de uma nova amizade, que para alguém muito próximo, se transformou em excitação e paixão, e este exercício de regressão ficaria guardado para o indeterminado momento em que tenciono dar início à minha autobiografia.
Foi este novo “achamento” que motivou esta turbulência de recordações desse tempo já ido, dos velhos rostos de infância, dos prédios e recônditos pátios, das brincadeiras de rua e de vão-de-escadas. O pinhal sempre ali perto, com o seu Pomar, onde nunca vi um fruto maduro. O campo da bola, onde dia sim, dia sim, jogávamos entre nós ou contra equipas de outras ruas/lugares (Aguim, Oliveiras, Ilha, Costa, Rego d’Água, entre outros), o poço da nora e o monte onde toda a rua se sentava, ritualmente de dia ou de noite, assim que o tempo e o ofício o permitissem.
Durante muito tempo, assim que passei a ser dono de um volante, não havia viagem ou deslocação que não incluísse a passagem por tal rua. Sem parar e sem falar com ninguém, lá subia a rua, num movimento lento e atento, com todos os sentidos na busca de um qualquer pormenor que me alimentasse alma e apaziguasse a saudade.
Concerteza, um tempo e uma vivência que me determinaram a personalidade e jamais esquecerei. Os recantos, os nomes e apelidos associados aos rostos de crianças, jovens e menos jovens. Desse meu mundo faziam parte: no mesmo vão-de-escadas, os irmãos Jorge e Nuno Camacho; os irmãos Paulo, Sónia e Sílvia e o Tiago, então filho único… bem perto, mas num outro vão-de-escadas, os irmãos Rui Pedro e Miguel que tinham os brinquedos mais espectaculares, porque mais evoluídos, que eu e o meu irmão já víramos, o Beto, a Fátima e a Rosário; o Nuno e as suas irmãs mais velhas, a Paula e a Fatinha; mais miúda, a Evinha, filha dos donos deste prédio. Em frente, o Juca e suas irmãs, a Paula e a Elsa, e ao lado destes, o Zé Manel, mais tarde conhecido por Guede… e já agora, jogador de bola (o Zé Manel já tinha, naquele tempo, um computador e, por isso, passava horas e dias enfiado em casa dele a jogar); por baixo deste era a casa do Quim e do irmão puto, o Ricardo… onde muita lata de atum e sardinha comemos. Aqui, os prédios foram construídos, cronologicamente, de baixo para cima, sendo o mais novo, aquele que está mais perto do cimo da rua, onde moravam o Roger e a Susana, a Isabel e seu irmão, o Rui (doente sportinguista, que entretanto foi morar para a Trofa), as irmãs Carla e Xana; em frente a esta última construção várias pequenas habitações, onde morava o Xico e, mais acima, em género de ilha, o Rui (Futre), o Nani e o Serginho (todos primos). Para além destes, ainda tenho na lembrança outros e outras, mas de quem já esqueci a graça.
Curiosa era a atracção por uma pequena parede de pedra, então existente entre o prédio maior e o nº 115, onde todos confluíam e ficavam… nós também, pelo menos até que os candeeiros da iluminação pública se acendessem, uma vez que essa era a hora concertada, com os pais, para o nosso recolher obrigatório… senão, era mais que certo ouvirmos ecoar, por todo o espaço, uma voz grave que nos punha em sentido (de casa).
Foi, é e será uma referência para mim.
Digamos que, por criteriosas razões, dedico este momento à paixão da sedução. Esse primoroso jogo das incertezas para aqueles a quem as pernas fraquejam e os lábios tremem e para aqueles outros, esses que vivem na ânsia do momento e, depois, chegada a hora, ele passa sem se alcançar. A vós.

Declarada Delapidação

Na sociedade de hoje e em Portugal sabemos das inúmeras tentativas do Estado para nos reduzirem ao mínimo da existência e da dignidade. Também porque são direitos sociais adquiridos e há "coisas" em que o Estado não deve tocar...

Decorrem duas petições online que combatem essa insaciável voracidade da máquina do Estado. Assinem, sem favor, e por todos nós.



Obrigado.

21 janeiro 2008

pelo prazer de conviver

sinónimo de bem ser

Escano e Soalheira

Mais uma tarde de conversas, de procura de histórias de outro tempo. Agora que se esgota o tempo (o meu...) para acabar o trabalho, aproveito as minhas passagens pela aldeia para algum trabalho de campo.

16 janeiro 2008

O Paradigma Socialista de Saúde Pública - um exemplo

Tem sido notícia recorrente e assídua nos noticiários, o encerramento de várias valências hospitalares, aqui e acolá, de modo metodicamente aleatório, por todo o país, principalmente nos espaços mais rurais e interiores do território nacional.
Facto paradigmático desta política e estratégia para o sector, deste governo socialista é o caso, agora conhecido, de Chaves. Em tempos (uns 2 ou 3 meses atrás... talvez mais, talvez menos), encerrou a maternidade existente nesse hospital e, agora, ficamos a saber que vai abrir, em breve, uma nova unidade hospitalar privada, com todas as valências, condições, equipamentos e pessoal, capazes de dar respostas às necessidades das populações da região. Ficamos ainda a saber, através das declarações de um dos responsáveis desta nova unidade hospitalar, que o objectivo futuro é que a população contratualize um plano de saúde privado e, então aí, todos terão acesso aos melhores cuidados de saúde... (!?!) então e o Serviço Nacional de Saúde!?... que (sem) futuro!?...
A este propósito leiam, p.f., o artigo de José Victor Malheiros, no jornal Público do dia 15 de Janeiro. Aposto que a eminência, o Sr. Ministro da Saúde, teve acesso ao mesmo e terá gostado da subtileza com que o autor nos chama a todos de ESTÚPIDOS.

In Causa Nossa

"Jardim estará com madeirenses quando povo quiser independência."

E não podem antecipar o grande momento?

Vital Moreira

15 janeiro 2008

O Nosso Potlatch

Vivemos, sem dúvida, um tempo de eternos retornos. Estamos já num novo ano, mas de alguma forma, ainda não esquecemos o velho... e no findar de cada ano, velho, participamos obrigatoriamente naquilo a que alguém chamou de quadra natalícia, que implica também a capacidade individual para a assumpção de um "espírito" natalício. Coisa que, por maior esforço, não consigo entender e, cada vez mais, rejeito, porque o que sinto em cada retorno, pelo que vejo e ouço, é repulsa (estarei eu em negação!?...).
Este eterno retorno, que ano após ano nos persegue e nos atormenta, e a mim em particular. Vemo-nos enredados na teia de "obrigações" de retribuir aquilo que nos ofertam, numa lógica economicista e consumista. Não sei se esta versão liberal do Pai Natal é, ou não, uma invenção da Coca-Cola, nem sei quem inventou o Pinheirinho, ícones por excelência do tal espírito dos hiper-consumos.
No retorno anual, digo sempre que assim não quero mais... que gostava de algo diferente e novo, alternativo. Porque não!?... É dificil, lúcido estou... sou. Vejo-me cercado por pessoas de quem gosto e, por isso, obrigado estou a manifestar esse amor, carinho e amizade através da dádiva de uma merdice qualquer. Senão, o cenário é o da incompreensão, do estigma e até, quem sabe, o da ostracização social...
Neste angustiante exercício anual, o que mais irrita a derme, é a contra-dádiva, ou seja, damos e recebemos, porque sabemos que recebemos e damos, fazendo-me lembrar o POTLATCH, ritual dos Tlingit e dos Haida, duas tribos do Noroeste americano, dado a conhecer ao mundo por Marcel Mauss no seu Ensaio sobre a Dádiva (1950). O étimo significa, essencialmente, alimentar; consumir. Considerado pelo autor, o POTLATCH é um sistema de prestações totais onde estas duas tribos, muito ricas, que vivem nas ilhas ou na costa do Pacífico, passam o seu Inverno numa festa perpétua: banquetes, feiras e mercados, que funcionam também como assembleias solenes das tribos. O POTLATCH consiste num festejo religioso de homenagem, geralmente envolvendo um banquete de carne de foca ou salmão, seguido por uma renúncia a todos os bens materiais acumulados pelo homenageado – bens que devem ser entregues a parentes e amigos. O ritual caracteriza-se como de oferta de bens e de redistribuição da riqueza. A expectativa do homenageado é receber presentes também daqueles para os quais deu os seus bens, quando foi a hora do POTLATCH destes.
O valor e a qualidade dos bens dados como presente são um sinal do prestígio do homenageado. Originalmente o POTLATCH acontecia somente em certas ocasiões da vida dos indígenas, como o nascimento de um filho; mas com a interferência dos negociantes europeus, os POTLATCHS passaram a ser mais frequentes (pois havia bens comprados para serem presenteados) e nalgumas tribos surgiu uma verdadeira guerra de forças baseada no POTLATCH. Nalguns casos, os bens eram, simplesmente, destruídos após a cerimónia.
Os governos do Canadá e dos EUA proibiram o POTLATCH nos finais do século XIX, por considerar o ritual uma perda "irracional" de recursos. Com a compreensão do significado do POTLATCH, a proibição desapareceu em 1934 nos EUA e em 1954 no Canadá. Algumas tribos praticam a cerimónia ainda hoje, e os presentes incluem dinheiro, taças, copos, mantas, etc.
Caso não alteremos o nosso comportamento acabaremos como estas tribos... a destruir aquilo que acabamos de receber.
à parte 1 - Natal é, por exemplo, o magnifico filme/concerto/documentário dos Sigur Rós, que me acompanha nestas palavras, oferecido por um irmão e que, de certeza, não vou destruir.
à parte 2 - Sigur Rós que nos transportam sensorialmente, no espaço e no tempo, para uma outra realidade.
à parte 3 - Ouvir os Sigur Rós é, nada mais que conhecer o ethos do povo Islandês.

14 janeiro 2008

299 kms

Em género de tentativa (fase pré-desespero), temos olhado para todos os lados, na esperança de que alguma alma caridosa olhe para os nossos lindos olhos e nos "arrange" algo para ocupação, para que, também nós, possámos contribuir positivamente para o sucesso e desenvolvimento da nação. É assim que percorremos diariamente, entre outros, o digital Diário da República e, muito de vez em quando, lá surge algo ao qual poderemos dar resposta.
Neste caso calhou Idanha-a-Nova (para muitos algo de estranho e para lá do seu mundo), pequeno concelho raiano do distrito de Castelo Branco. Sem saber muito bem por onde ir, lá aceitámos as indicações do GPS, que nos indicou como caminho mais curto: Gaia, Ovar, Estarreja, Aveiro, Viseu, Mangualde, Celorico da Beira, Guarda, Covilhã, Fundão até Idanha-a-Nova. Como nunca lá estiveramos e tinhamos que estar lá às 9 a.m., saímos cedo de casa, por volta das 5 a.m. Muita chuva e nevoeiro acompanharam a viagem, realizada praticamente toda de noite. Pequena e simpática vila, muito bem arrumada e limpa, com pouca população, mas com vários equipamentos colectivos: piscinas, biblioteca, hoteis, Cyber Espaço, Espaço 3ª idade, vários jardins, Mercado, entre outros.
Tendo em conta a prática comum em Portugal, sabiamos que este processo não passaria de um proform e que tudo estaria já decidido. Contudo, nem que fosse por teimosia, teriamos que lá ir... é nestas circunstâncias que gostaríamos que aparecesse alguém que desse cabo do esquema montado. É dificil, mas a ideia soa muito bem aos nossos ouvidos.
Aquilo que, de certeza, ficará é o restaurante "O Portão Velho"... muito bom e económico. Se por perto passarem não hesitem, mesmo no centro da vila... basta perguntar a um qualquer indígena.
Agora regressados a casa, reflectindo, concluímos que era verdade a sensação que existia ainda antes mesmo de sair de casa, de que nada vale o esforço da deslocação... ainda que estejámos, sinceramente, pré-disponíveis para esse sacrifício maior que é o de "abandonar" o lar e passarmos a viver a centenas de kms. Porcaria de sistema...
Porque ainda não o fizemos, aqui (já nos registámos em tantos sites e lugares que supostamente resolvem este tipo de situação), aproveitamos para perguntar à comunidade se não precisam de um indivíduo... para o que for, como for e quando for... estarei lá!

09 janeiro 2008

Calem-se o mais silenciosamente possível. Porque há só duas maneiras de se ter razão. Uma é calar-se, que é a que convém aos novos. A outra é contradizer-se, mas só alguém de mais idade a pode cometer.
Tudo o mais é uma grande maçada para quem está presente por acaso. E a sociedade em que nascemos é o lugar onde mais por acaso estamos presentes.
1923, Fernando Pessoa na Europa.

(des)assisados

O esperado aconteceu! Não vamos ter referendo sobre o Tratado de Lisboa. Uma vez mais, Sócrates falta com a sua palavra... e não adianta agora vir com retóricas interpretativas, culpabilizando os portugueses por má leitura das suas promessas eleitorais.
Bem nos avisava, ainda ontem, Pacheco Pereira no seu Abrupto, dizendo: "Começou a gigantesca máquica do consenso para negar o referendo." (...) "Hoje é o dia de uma grande operação de desinformação sobre o referendo."
Pode estar descansado o nosso primeiro ministro, pois os portugueses e as portuguesas, não estão nem aí... face aos inúmeros problemas e dificuldades que sentem para sobreviverem, querem lá saber da Europa e de Tratados. Que faça Sócrates aquilo que bem entender: que omita, que minta, que engane. Os Portugueses hão-de ser chamados a pronunciar-se e, aí, veremos se somos ou não assisados.

31 dezembro 2007

26 dezembro 2007

A História de uma Abelha

Aproveitando o sossego e o retiro destes dias do bacalhau, para sair de casa e distrair a criança, fomos ao cinema. Pela primeira vez em Bragança, com a companhia da Emília, assistí ao último sucesso de animação, na sua versão portuguesa. Aconselho, vivamente, todos os miúdos e graúdos.

“A História de Uma Abelha” (BEE MOVIE) é a romântica história de Barry Bee Benson (Jerry Seinfeld), uma abelha recém saída da universidade desiludida com a perspectiva de ter apenas uma saída profissional – fabricar Mel.
Numa inesperada oportunidade de sair da colmeia, a vida de Barry é salva por Vanessa, uma florista de Nova Iorque. À medida que a sua relação floresce, os olhos de Barry abrem-se para o mundo dos humanos e ele rapidamente descobre que as pessoas têm uma papel decisivo no consumo de mel em larga escala. Armado com esta informação, Barry apercebe-se da sua verdadeira missão na vida e decide processar a raça humana por roubar o mel às abelhas. Como resultado, as comunidades de humanos e abelhas envolvem-se como nunca antes, cada uma apontando o dedo à outra. Barry é apanhado no meio e dá consigo com problemas bastante invulgares para resolver…
(aproveita-se o parêntesis para, num discurso socialmente correcto, desejar a todos, um rico futuro...)

17 dezembro 2007

(des)Concertação Social

Dia do acordar, em sede de concertação social, do aumento do salário mínimo nacional para o ano de 2008. As reacções públicas já conhecidas são unânimes no elogio deste acordo e o mais folclórico, como não poderia deixar de ser, foi o do Governo, nomeadamente, do 1º Ministro que, visivelmente satisfeito, não se conteve nos auto-elogios.
A verdade é que este aumento, na ordem dos 5,7%, é o maior aumento conseguido nos últimos 10 anos e, objectivamente, signficará que o salário nacional passará de cerca 403 para 426 euros. Se isto é positivo?... não me parece. É pouco... será, por algum tempo mais, pouco. Muito pouco. No entanto, esta é uma daquelas contra-producências recorrentes na governação do país, uma vez que, ano após ano, assistimos, por esta mesma razão, ao encerramento de inúmeras empresas, fazendo com que o pouco passe a nada. Esperemos que este ano possa ser diferente.

14 dezembro 2007

O Rei irá nú!?

Mesmo no findar deste dia, histórico para quem manda nesta europa, registo aqui aquilo que me atormenta o ser. Entretanto, quero que saibam que hoje nada ví, lí ou ouví acerca deste passeio milionário de eléctrico.
Porque será que esta europa foi pensada, construída e, agora, acordada, ao revés dos cidadãos!?... Porque será que a europa agora negociada e contratualizada só acontece porque os cidadãos europeus não foram tidos nem achados!?....
Pois é, tal como diz a história, o rei vai nú, mas não sabe de tal condição. Estes reis, os europeus, vão nús e também não o sabem, mas vão saber e não tardará.

10 dezembro 2007

TMN

Sou fidelizado à TMN desde sempre, ou seja, desde o primeiro momento (MIMO) em que tive acesso a esse advento das comunicações móveis. Foram já vários os aparelhos e os tarifários adoptados. Recentemente, adoptei por uma solução empresarial, o que me permitiu, desde logo, adquirir sem custos equipamento superior e de (suposta) excelente qualidade, depois e também, algo que muitos amigos meus já faziam há anos, pude começar a amealhar pontos (por cada euro gasto recebo 1 ponto), e por fim, passei de carregamentos pré-pagos, para facturação "pós-paga". Muito bem e genericamente satisfeito com o serviço, fui amealhando os preciosos pontos, na esperança de um dia os poder utilizar na aquisição de um qualquer novo modelo. Até hoje, dia em que resolvi visitar a loja TMN mais perto e, confiante e acertivo, disse ao "menino" que me atendeu, que pretendia trocar os meus pontos (hoje cerca de 2000) por um novo equipamento. Na resposta, calma e simpática, encontrei o rápido caminho para a hesitação, depois para o desconforto e, por fim, para a revolta e a irritação. Então não é que o meu contrato não me permite trocar os pontos por equipamentos!?... Aliás, segundo percebi, no meu caso, só posso trocar os pontos por vales de desconto, vejam bem, na FNAC! Merda.
Agradeci e acabou.

Assim estão os meus joelhos

Cada vez mais admiro e respeito a ciência médica e aqueles(as) que a executam e interpretam. É, de facto, necessária uma condição superior.
Todos aqueles, poucos, que por aqui vão passando saberão do problema mecânico que apresento e que se tem prolongado ao longo do tempo, sem que nenhum desses "especialistas" o consigam diagnosticar.
A inicial declaração ganha força com o mais recente relatório médico, resultante de uma TAC realizada aos dois joelhos e que, julgo eu, é ilegível para o comum dos mortais. Por isso, só por isso, aqui o transcrevo. O documento actualiza o estado destas duas peças mecânicas, essenciais para o bom funcionamento da "máquina".
Digam lá se não é do caraças!?... e, já agora, se percebem alguma coisa!?...
Joelho Direito:
Não se observa descontinuidade dos arcos meniscais que indiquem laceração meniscal com tradução tomodensitométrica.
Não há também sinais de roturas dos ligamentos cruzados e dos complexos ligamentares colaterais.
O tendão quadricipital não mostra alterações.
Derrame articular com distensão do recesso supra-rotuliano sem que se identifiquem corpos livres calcificados intra-articulares.
Coexiste fina lamina de liquido na bursa do gastrocnémio/semi-membranoso formando uma discreta bursite de Baker.
Remodelação osteofitária mínima no corno femoral medial por osteoartrose incipiente no compartimento femuro-tibial medial sem lesões císticas geódicas subcondrais. Nota-se uma discreta esclerose subcondral na faceta lateral da rotula admitindo-se patologia degenerativa incipiente fmuro-rotuliana, constatando-se no entanto normal o alinhamento da rotula da troclea femoral na posição do estudo.
Joelho Esquerdo:
Aspecto atenuado de ambos os meniscos não se notando no entanto lesões e continuidade evidente do tipo fractura meniscal.
Não há sinais de rotura dos ligamentos cruzados e dos complexos ligamentares colaterais. O tendão rotuliano não mostra também alterações.
Derrame articular de médio volume com distensão do recesso supra-rotuliano também sem imagens atribuíveis a corpos livres calcificados intra-articulares. Nota-se no entanto marcada distensão da bursa do gastrocnémio/semi-membranoso formando um volumoso quisto de Baker que se estende longitudinalmnte por cerca de 8 cm e medindo um diâmetro transverso máximo de 4 cm, com um diâmetro antero-posterior que não excede os 2 cm; não se definem corpos livres calcificados intra-bursais nem há alteração da gordura adjacente que indique inflamação ou rotura do quisto de Baker.
Alterações degenerativas mínimas no compartimento femuro-tibial medial com uma discreta remodelação osteofitária marginal do respectivo condilo femoral sem áreas de esclerose ou transformação cística geódica sub-condral. Tal como no joelho direito questionam-se alterações degenerativas mínimas no compartimento femuro-rotuliano com uma ligeira esclerose subcondral da vertente lateral da rotula, sem evidente báscula ou subluxação lateral mas de avaliação limitada pelo derrame articular.

04 dezembro 2007

Apreensivo!

Porque há dias foi notícia, mas eu não tive tempo para aqui o referir, e porque, desde então, vivo angustiado, partilho com todos a minha apreensão com o recente reavivar do espatafurdio acordo ortográfico com o Brasil. Não consigo perceber a necessidade de tal "coisa". Afinal, daquilo que conheço, o Português do Brasil é Brasileiro e é algo estranho ao Português, portanto, o caminho deveria ser o contrário. Mas esta é a minha opinião... se houver quem me possa ajudar a perceber tal, só agradeço. Obrigado!

Gerundio de Ler

O mais recente livro de VPV (só para os amigos, que no seu caso, são todos os que gastam dinheiro com os seus livros). Acabado de adquirir e, logo, lido... pouco mais de 100 páginas dedicadas a esse "lugar" cujos sinónimos me abstenho de inumerar...

"Louis Henri Loison, o general maneta que participou nas primeiras invasões sob o comando de Junot, e que aterrorizou o Portugal criando a expressão popular «ir pró maneta»"

Mascararte - 3ª Bienal da Máscara

Com esta fotografia (que tirei algures na década de 1990) ganhei o segundo prémio do concurso de fotografia da 3ª Bienal da Máscara em Bragança. O esforço foi mínimo, apenas tive que ir ao "báu" e escolher. O que se manifestou um grande problema, pois hesitei muito... a selecção foi difícil. Só podia enviar três trabalhos. Parece que afinal escolhi bem. Os prémios serão entregues dia 15 de Dezembro no Teatro Municipal de Bragança, a partir das 23 horas. Lá estarei.

25 novembro 2007

De Pavia a Valadares

Ao volante deste clássico das quatro rodas viajei do Alto Alentejo até Gaia durante longas e silenciosas cinco horas. A uma velocidade média de 80 kms por hora, sem rádio, sem vidros abertos e com direito a ar forçado, revivi algumas sensações de tempos já idos, das primeiras aventuras ao volante da velha Renault 12 de meu pai (sempre, ou quase, com o consentimento de minha mãe e respectivo desconhecimento do pai...). A nudez dos interiores, a resistência da direcção, os elevadores manuais dos vidros, a caixa de velocidades tipo tractor, a mão que de vez em quando tem que desembacear o vidro, as paragens periódicas para o carro arrefecer, o conjunto de chaves (uma para a ignição, uma outra para as portas e ainda outra para o depósito de gasolina), os cheiros, o volante de material degradável, a buzina fora do volante (no manipulo dos piscas), e mais, por exemplo, a uma velocidade de cruzeiro de 100 kms por hora, não consegui ultrapassar um único veiculo, ligeiro ou pesado... o que indica desde logo que, por este país de IPs e ICs "ninguém" viaja abaixo dessa velocidade. De resto, confesso também que, ao contrário do que acontece no dia-a-dia, foi uma condução com emoção e prazer.

24 novembro 2007

Natalidade, Interioridade e o Presidente

"Eu não acredito que tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo" (Presidente da República Anibal Cavaco Silva, hoje na Guarda)
Sr. Presidente, cá por mim é sempre um prazer e só de pensar no assunto já estou a ficar entusiasmado…
Em visita por terras da Guarda, o Presidente da República resolveu abordar o problema da baixa natalidade. Até aqui tudo bem, mas a abordagem não podia ter sido pior. Para além de responsabilizar todos os cidadãos portugueses por não cuidarem do futuro e continuidade da nossa nacionalidade, pateticamente ingénuo pergunta:
- Porque é que nascem tão poucas crianças em Portugal?
- O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?
Não sei como é que a plateia que o ouvia não desatou à gargalhada!?.....

23 novembro 2007

Tabuada do Tempo *

Esta será também uma homenagem ao meu tempo e a todos aqueles que ao longo dele tiveram por missão ensinar-me e explicar-me a "tabuada". Segundo me fazem saber os meus primeiros e últimos mestres, ainda por cima, em acumulação com o fardo da progenitura, nunca terei sido bom aprendiz, nunca tendo saído da maior e anónima mediocridade escolar.
De facto, todos os anos que passaram neste intervalo de tempo até hoje, serão o resultado de uma qualquer tabuada produzida por alguém; e até podem ter escolhido várias conjugações, pois 2x10=20, como 5x4=20 ou então, 3x7=21, ou ainda, 6x3=18, etc, etc...desconheço qual a escolhida, mas também é-me indiferente. Sei que todo o tempo é passível da tabuada.
O tempo este, o de agora e presente, é o de reproduzir tudo aquilo que um dia produziram em relação a nós. Agora, é a nossa prole que tem que apreender, muitas vezes contrariada, pois a brincadeira é sempre melhor e a responsabilidade ainda não é um conceito esclarecido. Cá por casa, está mais do que percebido que a criança, agora que chegou a sua vez de aprender essa arte de ler e escrever, não acha grande piada às letras, principalmente quando se vê obrigada a juntar, na escrita e na leitura, duas ou mais espécies... o esforço tem sido no sentido de a fazer compreender a necessidade dessa construção, porque na realidade, no seu entendimento, um B e um A é BA (como 1+1=2), mas BA + TA já não tem que ser BATA.
Embuido neste esforço pedagógico familiar, dou comigo a reflectir sobre esta "coisa" básica e elementar que é o alfabeto e o seu domínio. Algo que damos como certo e universal e, por isso, o desvalorizamos. O que é um erro, pois, por incrivel que possa parecer, ainda hoje, há quem não o conheça (analfabetismo), quem não o saiba utilizar (apedeutismo) e também quem não o compreenda (iliteracia). Também, constato que este é o grande primeiro momento, será a primeira alavanca, que permitirá à criança desenvolver o seu individualismo e a sua personalidade. Por fim, estes serão os últimos momentos em que conseguimos enganá-las, ou pelo menos, omitir, ao ler o que nos apetece, como aconteceu até aqui quando questionados...
Acima de tudo interessa-me saber que neste processo ontogenético tudo possa acontecer naturalmente e sem grandes expectativas e/ou exigências. Ser criança, foi, é e quero que continue a ser, sinónimo de ingenuidade, de irresponsabilidade, de liberdade e de criatividade. A seu tempo, depois de muita tabuada conjugada, as responsabilidades chegarão.. Sem pressa.

* - Título de um livro de Cristovão de Aguiar, com o qual me cruzei, um destes dias, nos corredores de uma FNAC.

19 novembro 2007

Arrastões Bancários

Vivemos um tempo em que, a cada dia que passa, chegam até nós, mediaticamente, notícias de assaltos, ou pelo menos tentativas de assaltos, por vezes mais, por vezes menos violentas e dramáticas, a instituições e/ou equipamentos bancários. Custa-me saber que a prática tem vindo a aumentar, mas mais me custa o mediatismo e o sensacionalismo adoptado por aqueles que tem por função informar, aquando do tratamento deste tipo de notícias; é que de nada nos serve, e principalmente, de nada serve às polícias e demais entidades, os testemunhos ignorantes daqueles que assim, e só assim, conseguem os seus 5 segundos de "fama" e "notoriedade".
Hoje, a propósito de mais uma tentativa frustrada de assalto a uma dependência bancária, houve quem, numa tentativa de justificar esta prática e o seu registo frequente, a associasse à recente alteração do código penal, nomeadamente no que diz respeito à nova lei da prisão preventiva. Dizem estes que, esta onda de assaltos está relacionada com a libertação de vários presos preventivos, consequência da entrada em vigor dessa nova lei.
Isto para além de ser extemporâneo, é especulativo e procura, sem dúvida, retirar proveitos políticos.
Sem conseguir alcançar toda a problemática, dado o desconhecimento em pormenor, podemos, contudo, fazer uma leitura "sensorial" da realidade da sociedade e dizer que, às tantas, esta escalada de acções violentas, cujo propósito é conseguir dinheiro, não é estranha ao deterioramento, também em escalada, da situação social e, principalmente, financeira dos indivíduos e das famílias portuguesas, assim como não será estranha ao permanente aumento do desemprego. Desta hipotética relação não ouvi eu, ainda, os "experts" do quinto poder. Aliás, seria interessante, para além de necessário, estudar este fenómeno social, procurando as reais causas e razões, para depois então encontrar as soluções certas e apropriadas.

17 novembro 2007

15 novembro 2007

Que grande entrevista

Com o pc portátil em cima dos joelhos estou a ver o programa semanal de Júdite de Sousa "Grande Entrevista", que hoje entrevista a Dra. Joaquina Madeira, actual Provedora da Casa Pia. Tudo isto acontece depois das primeiras denúncias da Dra. Catalina Pestana que aqui há umas semanas, ao semanário SOL, afirmou que as agressões e as violentações continuam a existir na Casa Pia.
Esta senhora, responsável máxima desta instituição que (des)cuida de cerca de 500 crianças e jovens em regime de internato, passa ao lado de todas as questões. Por mais que a entrevistadora a questione, ela simplesmente não diz nada de relevante. A razão de ser desta entrevista supostamente era saber da própria provedora da instituição o seu conhecimento da realidade, mas ela persistentemente diz que não tem conhecimento de nada...
Aqui está mais um exemplo de um espaço, supostamente, nobre, porque em prime-time, que acaba por ser um flop.
Frase da noite: (a proposito das declarações da antiga provedora) "talvez não tenha sido a melhor forma e a altura para as fazer.... sabe, a casa precisa de tranquilidade!" - eu pergunto: tranquilidade para os porcos dos pedófilos poderem continuar a sua pérfida rotina!?... até quando!?... o verdadeiro problema é que são os próprios donos do sistema que dominam os meios que lhes permitem manter o status actual e só assim se percebe a indignação desta senhora pelas permanentes denúncias relativas à sua instituição.

13 novembro 2007

Reforma da Europa

Passados alguns dias do famoso acordo do Conselho Europeu, em Lisboa, sobre o Tratado Reformador, houve já tempo para conhecer o documento, perceber as lógicas e as tendências e perscrutar as diferentes reacções e opiniões acerca do mesmo.
De facto, o agora acabado e fechado Tratado (de Lisboa) não serve os interesses da Europa, uma vez que assenta em fundamentos neo-liberais e preconiza uma agenda militarista.
Por agora, e após 6 anos de problemas internos, a União Europeia deveria regressar aos seus verdadeiros deveres. Mas não, as alterações acordadas no Tratado apenas abordam os problemas nalguns aspectos e os próximos desafios de forma superficial. E mais, as futuras competências da União Europeia permanecem em aberto. Por outro lado, confirma o poder autoritário do Banco Central Europeu e o seu único objectivo – o controlo dos preços; consagra as políticas do Pacto de Estabilidade, que atingem a Despesa social e o investimento públicos, fazendo recair sobre os mais pobres as consequências das políticas orçamentais restritivas; e insiste no princípio da “concorrência livre e não falseada”, ao abrigo da qual explodiu a precariedade dos vínculos laborais, a diminuição de direitos e a compressão salarial.
Ao mesmo tempo, é, erradamente, apresentado como um acordo, um diagnóstico sobre os mercados de Trabalho na Europa, que na verdade abre caminho à extensão do conceito de flexi-segurança ao conjunto da União. A coberto deste slogan – “flexi-segurança”, o patronato e a Comissão Europeia apostam na desarticulação da Contratação Colectiva, na liberalização dos despedimentos individuais e na precariedade dos vínculos. A sua preocupação não é a segurança mas a flexibilidade, o que desvirtua e descentraliza o valor do Trabalho na construção do projecto europeu. Assistimos a uma regressão de natureza civilizacional. A Europa não precisa de mais flexibilidade porque já tem precariedade a mais. Precisa é de um novo Contrato para a Solidariedade que alargue aos imigrantes, às mulheres e aos jovens, os direitos e regalias sociais como condição para resolver a diferença entre ricos e pobres, povos e regiões.
Apesar de este Tratado reconhecer a Carta dos Direitos Fundamentais, o que, em si, é positivo, não podemos esquecer as insuficiências e as limitações dessa mesma Carta. Assim como, o facto de o novo Tratado aceitar a sua não universalidade no espaço europeu, ao dar à Polónia e ao Reino Unido o direito de optout.
Sendo um filho do Tratado Constitucional, em matéria de Política Externa reafirmam-se todos os objectivos e procedimentos que impedem a União Europeia de ter, no plano mundial, uma política independente dos Estados Unidos. O Tratado consagra a subordinação da defesa europeia à Nato, uma organização militar ofensiva quando, pelo contrário, deveria sustentar a sua dissolução em nome de um sistema de segurança colectiva sob a égide das Nações Unidas; recomenda o aumento das despesas militares, quando deveria fazer precisamente o contrário; e admite o envolvimento de forças multinacionais europeias nas missões militares em nome da defesa dos “valores”(!?) e “interesses”(!?) da União. É esta a dimensão militarista do novo Tratado e a sua subordinação à lógica imperial num momento em que aumentam exponencialmente os riscos de novas guerras. Não aceito esta lógica e defendo o desarmamento da União Europeia, a redução dos orçamentos da Defesa nos Estados-membros e o abandono deste ambiente belicista, que mesmo sob a ameaça do terrorismo global, só tem servido para atacar e coagir os direitos fundamentais dos cidadãos e dos estados ou nações.
O projecto europeu deveria envolver, cada vez mais, os cidadãos de toda a União, através da informação, do esclarecimento e do conhecimento da realidade agora proposta e, depois, a realização de referendos nacionais como garantia de legitimidade e como condição da ratificação parlamentar. Todo o incómodo e mal-estar que se sente junto dos responsáveis e decisores políticos europeus, quando se adianta a hipótese de referendar o Tratado tem fundamento, pois esses senhores (todo-poderosos) não esqueceram aquilo que os holandeses e os franceses, responsável e democraticamente, decidiram ao enterrar o Tratado Constitucional. Com esta fuga estratégica, deixam perceber a sua consciência do real e efectivo afastamento das populações em relação às políticas e à própria ideia de Europa. Assim, por temerem reacções adversas evitam a todo o custo os referendos nacionais.
É assim que, cada vez mais estou certo de ser já o tempo de aposentar esta União, que ao longo da sua já longa existência nunca foi, minimamente, compreendida e que, provavelmente, nunca convenceu os cidadãos. Apenas essa elite que é a classe política e dirigente, nos centros de decisão e de poder, foram assumindo e acreditando, em nome de todos e ao longo destas décadas, no compromisso da construção europeia.
A seu tempo, acontecerá! … O que a Europa precisa, para além das nomenclaturas, é um novo Tratado refundador dos valores, dos deveres, dos direitos e das regalias sociais que fundaram a diferença do nosso continente no mundo.Por acreditar numa Europa aberta a todos e a todas que nela vivem, considero indispensável a realização, em Portugal, de um referendo que questione os portugueses se aceitam ou não esta solução. Ainda por cima, o actual Primeiro-Ministro português, quando candidato ao lugar, garantiu (evito o termo “prometeu”) que os portugueses seriam chamados a pronunciar-se acerca desta matéria e seriam democraticamente responsabilizados pela decisão política. Aguardemos.
(publicado no Jornal Nordeste no dia 06/11/07)

10 novembro 2007

a moderna mania da classe média ocidental de que percebe de vinhos. Basta ver certas cenas em restaurantes com reputação de "Boa Garrafeira" - saloios conferenciando gravemente com o escantão e provando o que lhes põem à frente com fervor de peritos.
(Vasco Pulido Valente, hoje no Público)

Da máfia

Os 10 mandamentos para mafiosos e aspirantes a, devidamente anotados (a azul).
Extraídos de papelinhos, conhecidos por "pizzini" encontrados nos bolsos de Salvatore Lo Piccolo, chefe da máfia siciliana, recentemente detido.
1 - Ninguém se pode apresentar por si mesmo a outro dos nossos amigos. Terá de ser uma terceira pessoa a fazê-lo; (quando o eu passa a ele e o ele passa a eu...)
2 - Não cobiçar as mulheres dos amigos; (só a daqueles que não são amigos)
3 - Nunca ser visto com polícias; (senão morre!)
4 - Não frequentar bares; (apenas a Igreja e as casas da família e amigos - leia-se mafiosos)
5 - Estar sempre disponível para a Cosa Nostra; (claro, haverá outra hipótese!?...)
6 - As nomeações devem ser absolutamente respeitadas; (afinal quem manda é o mister... quem joga ou não joga... quem vive ou não vive... quem morre ou não morre...)
7 - As mulheres devem ser tratadas com respeito; (ora aqui está um exemplo vivo do maior dos discursos machistas e chauvinistas)
8 - Quando interrogados, responder sempre com a verdade; (estranho.... então e se for a polícia a interrogar!?... dizem a verdade?)
9 - O dinheiro não pode ser apropriado se pertencer a outros ou a outras famílias; (então a máfia não é uma actividade ilícita de extorsão e de coação!?)
10 - Não é possível ter relações com a polícia; (se tiver bigode e cheire mal dos sovacos...)

06 novembro 2007

José Socrates versus Santana Lopes III

Das restantes intervenções registo as seguintes expressões:
"Tudo sobe acima da inflação" (Jerónimo de Sousa)
"Os Srs. (PCP) nunca querem mudar nada!..." (José Socrates)
"Acabou por ser um momento do canal memória!... Sr. 1º Ministro mude de canal!" (Paulo Portas)
"O Sr. Deputado (Paulo Portas) já merecia que alguém lhe dissesse isto!" (José Socrates)
"Tanta expectativa e afinal... é altura de devolver os bilhetes! Pois afinal só tivemos direito à velha direita." (Francisco Louçã)

José Socrates versus Santana Lopes II

A primeira intervensão de Santana Lopes pareceu-me mais direccionada para a sua própria bancada do que para o 1º Ministro e Governo. Não questiona sequer o orçamento e já depois de o Presidente da AM o ter avisado do fim do seu tempo, lá puxou pelo IVA e IRS... pouco ou nada. José Socrates agradeceu e não perdeu nova oportunidade para fazer comparações.

José Socrates versus Santana Lopes I

Em directo, através da Antena 1, acompanho o debate quinzenal com o 1º ministro. Nesta primeira intervenção introdutória, de realçar a permanente necessidade que o nosso 1º ministro tem de fazer comparações com os 3 anos anteriores ao seu mandato... ou seja, partiu desde logo para o ataque, defendendo assim o seu mandato (sempre se disse que a melhor defesa é o ataque). Segundo dizem, Santana Lopes permanece impávido e sereno, enquanto Paulo Portas não para de escrever...

05 novembro 2007

Feriados, Pontes, Fins-de-Semana e Afins

Lugares por onde andámos nestes últimos sete dias, em género de férias...


02 novembro 2007

Palco

A não perder hoje, bem tarde, no Palco da RTP2 (anunciado para as 2 da manhã), PJ Harvey "On Tour" e Rufus Wainwright "Live at Filmore.