05 outubro 2007

Sim..., pois é... eu também!...

Num dia dedicado ao descanso, à família e à leitura dos diários e, também, semanários, encontro no jornal Expresso algo que me faz aqui vir e, numa atitude de reconhecimento, registar a franqueza, a verdade e o oportunismo do comentário. Então, diz assim João Pereira Coutinho, na sua coluna de opinião semanal:
Anjos Caídos
O País já falou sobre a espantosa ressurreição de Santana Lopes na Sic-Notícias. E, pelos vistos, falou bem: não se interrompe um ex-primeiro-ministro por causa de um treinador de futebol, certo? Talvez, se considerarmos o problema em teoria. Mas, como diriam os brasileiros, na prática a teoria é outra. Sobretudo quando do outro lado está a jornaista Ana Lourenço. Se Santana tivesse abandonado, sei lá, um Mário Crespo, uma pessoa até perdoava. Digo isto com todo o respeito pelo Mário Crespo. Mas com a Ana Lourenço, não há perdão: abandoná-la em directo é abandonar a encarnação mais próxima que temos de um anjo (SIM...). Aliás, ainda ninguém me convenceu de que a Ana não é um anjo (POIS É...), deixado cair pelo faro político do diabólico Dr. Santana.
É perante esta heresia que deixo aqui o meu recado: para a próxima, quando o assunto meter política, convida-me a mim, doce Ana. E, já agora, interrompe-me as vezes que quiseres. Eu, por ti, fico sempre (EU TAMBÉM!...).

02 outubro 2007

Bem Vindo à Família

Este é o Torga, o mais recente membro da família. Aos 3 meses de idade, apresenta-se algo tímido e trapalhão... começa a reagir ao nome e ensaia já um curto e rouco ladrar. Puro exemplar de uma das raças tipicamente portuguesas - Cão de Gado Transmontano.

01 outubro 2007

Mundial Dia da Música

Essa linguagem universal que em toda a parte, por todo o mundo, dos confins às capitais, por entre minúsculos sons e estridentes ruídos, num movimento perene, se ouve e se faz sentir.

when de music's over, turn of the lights,
turn of the lights for the music is your special friend.
dance on fire as it intends,
music is your only friend until the end.
cancel my subscription to the ressurrection,
send my credentials to the house of detention,
i got some friends inside,
the face in the mirror won't stop,
the girl in the window won't stop.
a feas of friends alive she cried,
waiting for me inside.
before i sink into the big sleep,
i want to hear
the scream of the butterfly.
come back, baby, back into my arms.
we're getting tired of hangin' around,
waiting around with our heads to the ground.
i hear a very gentle sound,
very near yet very far, very softly, very clear,
come today, come today.
what have they done to the earth?
what have they done to our fair sister?
ravaged and plundered and ripped her and bit her,
stuck her with knives in the side of the dawn
and tied her with fences and dragged her down.
i hear a very gentle sound...
with your ear down to the ground...
we want the world and we want it... now!
persian night! see the light!
save us! jesus! save us!
when de music's over, turn of the lights,
turn of the lights for the music is your special friend.
dance on fire as it intends,

music is your only friend until the end... until the end!
(Jim Morrison, 1968)

27 setembro 2007

Dignidade e Respeito

Para alguns uma atitude desmedida e desproporcionada, mas para mim um momento digno, só para alguns... em directo na SICNotícias, ontém à noite, este Senhor, que por acaso é ex-Primeiro Ministro, não gostou de ser interrompido pelo directo da chegada do Mister Mourinho ao Aeroporto da Portela. Tal como disse, antes de sair do estúdio "...anda tudo doido!..."

22 setembro 2007

Candidatura ao (des)emprego

Mais uma triste notícia. Que de tão triste dá mesmo vontade de rir. Não é que a TAP exige indemnizações aos candidatos a hospedeiros de bordo!?... Diz hoje a edição do Jornal Público que a empresa quer que os seleccionados se comprometam a pagar de 50 a 700 euros, se faltarem a uma das quatro fases de recrutamento.

Violentam-nos na Carteira

Mais um momento digno de registo e proveniente da mais alta tecnologia de ponta, existente na iluminada mente de quem, actualmente, nos governa e tem como ambição suprema a simplificação do país. (aconteceu ontem e hoje é notícia) Em plena Assembleia da República, o Primeiro Ministro, no debate quinzenal, segundo as novas regras, anunciou a abertura de mais um serviço nas Lojas do Cidadão: O Balcão Perdi a Carteira - onde será possivel recuperar os documentos pessoais num mesmo local e ao mesmo tempo. Brilhante! Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso... agora, já poderemos perder a carteira com tranquilidade, pois como dinheiro não temos, a preocupação é, na realidade, o valor intransmissível dos nossos documentos, que nos identificam. Mas então nas Lojas do Cidadão não existem já os vários balcões que nos permitem resolver essas situações!?... Passaportes, Bilhetes de Identidade, Certidões, Nº Contribuinte, Nº Beneficiário da Segurança Social, entre outros, já são uma realidade nesses espaços. A não ser que queiram acabar com os diferentes serviços já existentes, desculpem mas parece não um "simplex", mas sim um "complex".
Para além de também, simbolicamente, e a partir de agora, ser o próprio estado a prever e a aceitar que, de facto, os Portugueses e as Portuguesas são violentamente agredidos na carteira.

17 setembro 2007

o tempo da terra

Refresh de Aquisições

- Loução, Paulo Alexandre, 2006, Portugal, Terra de Mistérios (7ª edição), Lisboa, Ésquilo Edições;

- Urtigão, Ramalho, 2007, As Farpas - vol. 5, Lisboa, Círculo de Leitores;

- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. I - Festas, Costumes e outros materiais..., Lisboa, Publicações Dom Quixote;

- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. II - Cultura Popular e Educação, Lisboa, Publicações Dom Quixote;

- Parafita, Alexandre, 2002, Antologia de Contos Populares - vol. 2, Lisboa, Plátano Editora;

- Parafita, Alexandre, 2007, Os Provérbios e a Cultura Popular, Vila Nova de Gaia, Edições Gaialivro;

- Moutinho, José Viale, 2007, Lendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Lisboa, Esfera do Caos;

12 setembro 2007

Livraria Leitura

Agora que penso nisso, bem me lembro de ter lido, num qualquer jornal, que a Leitura tinha sido vendida. Mas que desilusão, mas que tristeza senti hoje, quando dei de caras com a loja fechada e com todas as suas vitrinas cobertas com papel.
A Leitura foi sempre a minha livraria. Não estarei a exagerar se disser que 90% dos meus livros foram lá adquiridos. Como está localizada no centro da cidade do Porto e dada a minha preguicite congénita e crónica, nunca fui um visitante ou cliente assíduo, preferi sempre reunir em lista as compras necessárias e, depois então, uma ou duas vezes por ano, fazer a minha demorada visita.
O que sempre mais me agradou neste espaço foi a grande variedade e qualidade de títulos e obras, assim como a grande disponibilidade dos funcionários para nos auxiliar, orientar e sugerir. Também, o facto de podermos encomendar qualquer obra, em qualquer idioma, era apreciado e vantajoso.
Enfim, fica aqui esta nota de tristeza e de desconforto, sentida pelo desaparecimento da única livraria técnica das sociais ciências e afins da Invicta.

11 setembro 2007

Study Case

A propósito da triste história de Madeleine, que agora acompanho de muito longe, através dos ecos, reparo no despropósito dos órgãos de comunicação social, que nos últimos dias, obrigaram o mundo, pelo menos, o nosso, a um "tilt" psicológico com esta história. Independentemente do que vier, do seu epílogo, é interessante verificar como os "entendidos" e os "opinion makers" deambulam ao sabor das tendências e do conta-gotas informativo. Irresistível para muitos, para mim estúpida e irracional, a apetência canibal das objectivas e dos microfones, empurrados por frenéticos editores informativos e directores comerciais, que hávidos de scores de audiências, nos dão o objecto do mais pérfido dos voyeurismos. Concerteza, haverá quem esteja a beneficiar com isto. Concerteza, este será um caso, para mais tarde (vamos ver quando), constar nos manuais da escola jornalística. Em relação aos média, ainda nos falam da auto-regulação... vejam bem como eles se têm regulado...

08 setembro 2007

05 setembro 2007

Serviço Público

A RTP, arauta da prestação de serviços públicos, na sua página de internet, disponibiliza a localização das suas delegações regionais, agora através de um mapa de Portugal. Conheça agora e aqui (visitem também o original), o novo e revolucionário mapa do nosso pequeno país. Resultado da mais cabal e estúpida ignorância, que afinal desconhece o país e, incrivelmente, não sabe onde estão localizadas as suas delegações... ou seja, gasta o nosso dinheiro, mas não sabe onde!

O Regresso

Sem comentários, partilho os retratos de alguns lugares por onde andei neste intervalo do tempo.




26 agosto 2007

Homenagem

De longe, no dia em que desce à terra, o meu pesar pelo desaparecimento de Eduardo Prado Coelho. Personalidade incontornável na cultura portuguesa e ponto de referência e influência para mim, enquanto homem de esquerda, que previligiava a polémica e a ironia. Desde sempre o acompanhava no "O Fio do Horizonte", coluna diária no seu e no meu Público. A sua morte, sem ser uma surpresa, deixará concerta uma lacuna dificil de colmatar.

20 agosto 2007

Agosto, mês dos portugueses todos

Convidado para um baptizado de uma pequena prima, emigrante em Paris, sou "coagido" a estar presente, o que faço sem grande vontade, mas minimamente incomodado. Continuo a não aceitar esta imposição da igreja, e depois reforçada pela pressão social e do grupo/família, para com os indefesos e inocentes recém-nascidos... Mas isso será outro assunto, que poderemos, sempre que assim o entenderem, trazer à discussão.

Sentado numa cadeira de escola, em Vila Flor, enquanto os demais comensais devoram as recorrentes mesas de aperitivos, numa tentativa de observação distanciada, reparo nos comportamentos e apetites vorazes que, de uma só acentada, devoram tudo e mais.

Depois, mal o anfitrião convida para o almoço, lá vai o rebanho todo, ao primeiro toque, todos respondem... Entretanto, e porque era preciso dar tempo para que as iguarias ficassem prontas, o mesmo anfitrião, também músico, resolveu dar alguma música ao "pessoal".

E isso sim, foi o momento. A razão destas palavras, pois que não restem dúvidas de que o português está aqui. Isto é Portugal, e nós os de cá gostamos é disto, alegria, bem dançada e, se possível, bem bebida.

Tudo está ainda bem, neste momento em que acabo estas palavras... Talvez mais logo outra música se sinta.

07 agosto 2007

Les Veilles des Vacances

Quand je me dispose à laisser à l'environnement des jours toute les année, parmi le mouvement des preparativeses et de la méfiance pour oublier quelque chose de indispensable, j'organise les jours de summering mentalement. Puisque la famille n'a pas choisi la destination avant, nous irons passer aux jours un le Bragança et Vila Boa et plus tard, en principe, nous voyagerons jusqu'aux Crêtes de L'Europe, c'est-à-dire, du nord de l'Espagne (Astúrias célèbre). Cependant, je vais choisir les lectures pour de nos jours… rien dans spécial, mais très en béton, donc la bibliographie à lire pour le prochain travail est substantielle.
Par rapport aux moments dans Trás-os-Montes deux ou trois de certains choses: beaucoup de repos, beaucoup de visites aux archives de zone - placer par excellence pour lire et étudier, et quelques après-midis et nuits en Vila Boa, centre de mon monde et où pour ces tailles, cycliquement d'année pendant l'année, je vais en trouver de cela que je sais depuis toujours, mais des forces plus grandes et des circonstances de la vie, suis obligé de vivre bien loin. Le village rétablit… est asse'à marcher un minute pour ses rues, pour percevoir que c'est mois d'août… cependant, et année après année, je démontre cela chaque fois que je suis ignorant de plus de personnes, principalement nouveau.
Il est temps de trouver vieux connu, des parents et des enfants, des familles, voisin et des amis. Celui est la période de sa réintégration dans le groupe qui, obstinément et l'eternum d'annonce, veut appartenir. Moi aussi et sans doutes… bien qu'à plus apprécier le calme et la tranquilité que le village me fournit en mois restants de l'année.
Pour savoir et percevoir la motivation et la volonté de ces autres, au Portugal, connu pour des avecs, que nous elles sommes égaux, bien que les différences relatives, elles je consacrent ces mots, ainsi écrit dans le Français.
Jusqu'à déjà et toujours.

06 agosto 2007

Um dia heróis, depois e agora, hediondos assassinos

"Neste reino ou numa província da Nova Espanha, indo certo espanhol com seus cães à caça de veados ou de coelhos, um dia, não achando caça, pareceu-lhe terem fome os cães, e tomando um rapazinho a sua mãe com um punhal lhe corta aos bocados braços e pernas, dando a cada cão sua parte, e depois de comidos aqueles bocados da criança, a todos eles atira o corpito para o chão." (pág. 97)

Reza a história dos manuais escolares acerca das epopeias dos descobrimentos, assim como cantamos, todos nós, aos heróis do mar e ao nobre povo, que por marcos assinaláveis perpétuaram o nome de Portugal.
O problema é que essa nossa verdade esconde uma outra, horrenda verdade, que é história dos povos achados (sim, porque agora designa-se "achamento"). Assim como quem espreita para o ouro lado da medalha para realmente a conhecer, nós também deveríamos conhecer a história confrontando as diferentes perspectivas e versões de uma mesma história que é comum a tantos e tantos povos. A isto dá-se o nome de relativismo.
Embuído deste espírito (missionário), leio a Brevíssima Relação da Destruição das Índias, de Bartolomé de Las Casas, dada a conhecer em Sevilha no ano de 1552 e editada pela primeira em Portugal em 1990 (!?). Este texto foi durante séculos um livro maldito. O autor descreve o inferno e a infâmia criados na América pelos tão celebrados descobridores quinhentistas. Relata de uma forma, por vezes, escabrosa e snuff, a conquista militar dos povos indigenas, levada a cabo a sangue e fogo e que veio a representar um dos maiores etnocícios da História, cujas repercussões ainda não puderam ser varridas da vida real.
Continuamos a enganar as nossas criancinhas e eu não sei porquê!?....

03 agosto 2007

Canhoto e esquizofrénico

Finalmente uma resposta científica para uma das minhas questões existênciais. Mas porque raio eu, ao contrário de 90% do resto da humanidade, sou canhoto!?... a resposta, encontrei-a no Jornal Público de ontém, dia 2 de Agosto, num artigo que afirma que foi descoberto o gene associado à habilidade na mão esquerda e que tem por nome LRRTM1. Segundo o coordenador da equipa de investigadores, Clyde Francks, este gene é comum a toda a humanidade, mas apresenta-se em diferentes formas: quando uma das versões deste gene é herdada do lado paterno aumenta a probabilidade de nascer canhoto.
Mas como não há bela sem o senão... ficamos também a saber que esse mesmo estudo indica a probabilidade de haver uma relação entre esta assimetria cerebral e algumas doenças mentais - a esquizofrenia, por exemplo. Enfim, sendo o LRRTM1 responsável também pelas funções da fala e a emoção, emocionalmente digo que espero que estes meus genes não se cansem e entrem em ruptura...

29 julho 2007

Boa Sorte

Pela primeira vez partilho um video plasmado do YouTube. Visito alguns blogues que usam e abusam deste portal para partilharem os seus (maus) gostos com o resto da comunidade. Para mim é um experiência nova e que, por isso, não foi fácil de executar... digámos que só hoje consigo publicar aquilo que queria fazer na passada 5ª feira. Em relação ao video e à música em si, não vou fazer grandes comentários ou grandes elogios. Comecei a ouvir esta música esta semana na Antena 3 e gostei.
No contraditório, afirmo aqui que não gosto de brasileiros(as) a cantar, nem gosto particularmente deste senhor Harper, mas esta "cantiga" soa bem e por isso aqui vai.

26 julho 2007

Idade Outra

Sempre ouvi dizer que é nos filhos que percebemos o tempo a passar. É ao constatarmos o crescimento da nossa prole, que admitimos o nosso (de)crescimento e o peso dos anos a passar. Contudo, nunca até ao dia de hoje, tinha percebido que aquilo que, normalmente, se designa a primeira idade (se aqui englobarmos a infância, a adolescência e a juventude), para mim já passou. É verdade, sim senhor a afirmação inicial, pois a minha descendência tem crescido e bem, o que significa que o tempo não para e, apesar de me considerar "jovem", de facto e na realidade, já não será aí que me encontro...
Recordo agora todos(as) aqueles(as) que já a caminho da 4ª idade, continuam a afirmar que se sentem jovens.... que o que importa é o espirito... a vontade e a disposição...
Como enganados estão, os coitados!
O "clic" que me faltava para o admitir, foi a conversa que hoje mantive com dois médicos que consultei. Por mais que continue a enganar-me, considerando que ainda não cheguei a esse outro estadio do meu processo ontogenético, que será o anterior ao último, o diagnóstico frio e racional com o qual fui confrontado, que anúncia sintomas e hipóteses para quadros clínicos que, pessoalmente, sempre associei às idades maiores, derrotou toda e qualquer atitude narcisica relativa ao mito da eterna juventude.
Entretanto e nas entrelinhas de tais cenários, fiquei também a saber que não sou considerado obeso, não sou hipertenso e tenho vantagens genéticas (seja lá isso o que for...).

23 julho 2007

Estar à Janela

Num qualquer lugar e num qualquer momento, dei comigo a pensar e a reflectir sobre o estado ou condição que é estar à janela. Estranho e, para mim, anormal, pois raramente me encontro em tal circunstância. Pelas avenidas das cidades e localidades, por onde diariamente circulo, tento, em diferentes horas e momentos do dia e noite, apanhar, em flagrante, alguém à janela. Tarefa difícil...

Até há uns anos atrás, num tempo de uma outra vivência e de uma outra mentalidade, a janela era uma instância. Nada acontecia que não fosse à janela. Era um espaço social. Por excelência, alvo de inúmeras odes, em trovadorescas cantigas de amigo e de amor, eruditos elogios e várias prosaicas considerações, a janela faz parte do nosso património imaginário e de uma simbologia nacional de uma existência de antanho. Quem não recorda as famosas estrofes de Vitorino, onde ele encontra à janela a menina com os cabelos ao vento e tem que esperar por uma prenda dela para se poder ir embora...

De facto, hoje em dia e cada vez mais, as janelas perderam a sua função social, ou seja, já não se vai para a janela e por lá se fica... Quem é que, hoje, se põe à janela!?... Ninguém ou quase ninguém...

Ainda assim, e depois de inúmeras observações que testaram esta minha teoria, para confirmar a mesma, indaguei amigos e conhecidos e, salvo (a cada vez mais rara) excepção dos fumadores, que afirmam utilizar as mesmas para não poluírem os ambientes interiores, todos os outros admitem (denotando eu nas suas expressões alguma perplexidade pela constatação) nunca ou quase, irem ou estarem à janela.

Pois é, cada vez mais, as janelas são entendidas como elementos construtivos funcionais, fundamentalmente, como meios de conseguir luz e ar. No dia em que nos apresentarem alternativas sugestivas não acredito que lhe possámos resistir. Num futuro, que desconheço se próximo ou não, concerteza outras soluções surgirão e sem grandes pejos, trocaremos as actuais e inúteis janelas por essas outras formas de vermos e sentirmos o mundo que nos envolve.

Não me lembro de estar à janela. Essa predisposição para ver "quem passa" indicará também um conjunto de atitudes ou estados mentais, tais como: passividade, conformismo, indiferença ou alienação.

Eu prefiro continuar a ser quem passa...

20 julho 2007

Nunca fui para a cama com nenhuma mulher sem lhe pagar, e convenci as poucas que não eram da profissão pela razão ou pela força a que recebessem o dinheiro nem que fosse para o deitar no lixo. Por volta dos meus vinte anos comecei a fazer um registo com o nome, a idade, o lugar, e uma breve memória das circunstâncias e do estilos. Até aos cinquenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais tinha estado pelo menos uma vez. Interrompi a lista quando já o corpo não me deu para tantas e podia continuar as contas sem papel. Tinha a minha ética própria.
Gabriel Garcia Márquez in "...das minhas putas tristes"

18 julho 2007

Em Digressão

Servindo-me das maravilhas que são as novas tecnologias e quando o Alfa em que viajo, circula a cerca de 180 kms por hora, algures entre Lisboa e o Porto, aproveito para reflectir sobre esta nova experiência que é fazer apresentações de "algo" por nós criado. Alguns dos meus amigos, quando lhes disse que iria publicar um livro, depressa concluíram que a minha missão nesta vida estaria então finalizada. Nada mais falta cumprir e assim poderei partir descançado...Entretanto, confesso que muito me agradou, não o reconhecimento ou a notoriedade que possa ter advido deste projecto, mas sim o facto de algumas editoras se terem mostrado interessadas em editar o mesmo. Com a devida modéstia posso dizer que pude escolher a editora que mais me interessou. Depois, veio o tempo da partilha e das apresentações, o tempo de agora, em que sou obrigado, por clausulas contratuais, a deslocar-me a outras cidades para aí dar testemunho do meu trabalho. Nada me custa e fui, irei com o maior dos prazeres. Contudo, agora que já o "provei" não poderei deixar de referir, a confusão de sensações experimentadas... Se por um lado me sinto recompensado pelo esforço e dedicação e é agradável perceber a reacção das pessoas que contactam com o livro, por outro lado, a simples partilha que é a publicação do trabalho, significa abdicar daquilo que até aqui era só meu e agora será do "mundo" e de todos. Também significa o meu consentimento e aceitação de um julgamento público e/ou da academia relativo às minhas qualidades, não tanto enquanto escritor, mas fundamentalmente enquanto cientista social e antropologo. Tranquilo e satisfeito com o até aqui conseguido, viajo de regresso a casa. Confidêncio que ver um livro meu, com destaque, exposto e à venda na Fnac não me deixa indiferente (impressões primeiras de um qualquer principiante). No que diz respeito às vendas e ao sucesso comercial do livro, estou perfeitamente a "oriente". Sei que no dia 29 deste mês estaremos na Fnac em Gaia... Até lá.

16 julho 2007

Com o fim à vista

Depois de 1800 páginas divididas em 4 livros e quando me faltam cerca de 20 páginas do epílogo, posso partilhar a satisfação daquilo que, um dia (em Novembro de 2005), obstinadamente decidi fazer. Passado este tempo todo, por entre muitos outros registos, consegui vencer a "guerra" que este clássico me ofereceu e, agora, em "paz" poderei derivar e escolher outro objecto para a minha teimosia em colmatar as graves omissões de um tempo ido, no qual muito e bom me escapou.
Não amamos a quem é bom, mas é bom a quem amamos.
Lev Tolstói

13 julho 2007

Eu também...

Dos 96 mil alunos que fizeram o exame de Matemática do 9.º ano, 24.600 não tiveram mais do que um valor (escala de 1 a 5). No conjunto, 72,8 por cento tiveram negativa na prova. É o pior resultado em três anos de exames. O que aconteceu?
Hoje no Jornal Público

12 julho 2007

O Mercado

A saturação dos ruídos, a confusão dos intensos e frescos aromas anunciam um novo e exótico mundo. Adivinha-se um espaço repleto de estranhas formas e vivas cores. Sinto que nesta aparente anarquia, tudo e todos encontram o seu lugar.
Viver bem e ser feliz são duas coisas diferentes e a segunda, se não houver uma magia qualquer, não me acontecerá certamente. Para isso deveria acontecer qualquer coisa verdadeiramente fora do natural.
Mozart numa carta a Bullinger

11 julho 2007

Foi Notícia






Dia Mundial da População

Não conseguindo contabilizar, nem sequer alcançar a dimensão da população do nosso mundo, mas atento aos pormenores, que aqui e ali, pelas melhores e/ou pelas piores razões, são notícia. Hoje, em qualquer órgão de omunicação social, poderemos encontrar aspectos posítivos e negativos da evolução da população mundial. Mas como não poderia deixar de ser, reflicto sobre a lusitana situação e os seus evidentes desiquilibrios.

O litoral português devia formar uma província à parte, esguia, fresca e alegre, só de areia e espuma.
(acerca do interior) (...) Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição. (...) Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, (...) serras sobrepostas a serras. Montanha paralelas a montanhas. (...) Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura, aos vinte anos, (...) alguns emigram para as Arábias de além-mar. (...) Deixam um rasto luminoso por onde passam, e voltam mais tarde, aos sessenta, de corrente ao peito... (...) e continuam a comer talhadas de presunto cru.
Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.

Assim escrevia, já em 1950, Miguel Torga acerca das etnográficas clivagens portuguesas. Salvaguardando as devidas evoluções e distâncias, muito provavelmente, hoje, Miguel Torga não alteraria muito do seu texto ao observar a realidade portuguesa.

Neste momento, recordo também o clássico e fundador trabalho de Thomas Malthus, que em plena Revolução Industrial Inglesa, pensa, analisa e reflecte sobre a demografia e a economia "mundiais". O Ensaio sobre o Princípio da População, publicado em 1798 é uma obra notável pela sua presciência da realidade do planeta nos séculos seguintes e até aos dias de hoje. Um trabalho que deveria ser lido pelos nossos governantes, principalmente por aqueles que pensam e decidem o país e gerem o território.


10 julho 2007

Aquisições

Referência para as últimas aquisições e ofertas livrescas:

- "A Indústria das Sedas em Trás-os-Montes (1835-1870)" de Fernando de Sousa, Edições Cosmos, 2001;

- "Portugal" de Miguel Torga, Dom Quixote, 2007;

- "A Sagração da Primavera" de Aurélio Lopes, Edições Cosmos, 2007;

- "O Enterro do Galo" de Aurélio Lopes e João Serrano, Edições Cosmos, 2006;

- "O Silêncio dos Livros" de George Steiner, Gradiva, 2006;

08 julho 2007

Sete Maravilhas!?....

Muito hesitei em escrever o que quer que fosse sobre este festival dos monumentos. Mas, por fim, achei conveniente partilhar as seguintes considerações:

Concordo que, passados cerca de 2500 anos sobre a anterior eleição, era já tempo de a "sapiencia" se dedicar à análise e ponderação do que de mais importante e significativo existe no mundo, tendo como principal critério, a valoração enquanto património para a humanidade. Até porque das antigas sete maravilhas só uma resiste e grande parte delas mais do que qualquer valor material, estavam impragnadas de valorizações simbólicas e discursos míticos (por exemplo, os jardins suspensos da Babilónia provavelmente nunca existiram). Esta valorização simbólica transformava-as em maravilhas, resultado do trabalho extraordinário dos antigos e quase inatingíveis ou irrepetíveis.

O que agora aconteceu não foi nada disto. Mesmo concordando genericamente com a lista dos 21 candidatos, o método utilizado não foi o correcto, transformando aquilo que deveria ser uma referência para toda a humanidade, em algo parecido com um festival da canção, ou um Big-Brother... substituindo a sabedoria de um conjunto de individualidades que outrora se reuniu e magnanimamente elegeu as antigas maravilhas, pelo democrático televoto e o moderno netvoto, delegando na sabedoria e nos conhecimentos das massas (ignorantes, iletradas e info-excluídas) a responsabilidade dessa decisão.

Como se o acumular de votos destes anónimos e ignorantes fosse a garantia de qualidade e de excepção desses monumentos!?... vejam o exemplo do Cristo Rei do Rio de Janeiro... como pode alguém considerar aquilo uma maravilha!? Quanto mais ser eleita uma das sete!?.... Então e as Pirâmides de Gizé!?... as únicas que ainda eram (até ontém), hoje foram ultrapassadas e perderam tal estatuto. Como!? Uma palavra também de reconhecimento para os muitos monumentos ou lugares que, edificados pelo homem, teriam aqui lugar e em muito dignificam a nossa condição de humanos e "construtores".

Enfim, mais um momento de consumo imediato, que custou milhões de euros e dolares e que, concerteza, alguns poucos beneficiaram e muito com o mesmo, mas que ninguém racional e inteligente pode aceitar. A propósito, a UNESCO, que é quem se dedica a estes assuntos do mundo, desde sempre se demarcou desta iniciativa...

As antigas e ainda muito válidas MARAVILHAS:
Pirâmides de Gizé
Jardins Suspensos da Babilônia
Estátua de Zeus em Olímpia
Templo de Ártemis em Éfeso
Mausoléu de Halicarnasso
Colosso de Rodes
Farol de Alexandria

05 julho 2007

Momento Interessante

A propósito do seu livro "Foi assim" Zita Seabra foi a convidada desta noite do programa semanal de Judite de Sousa. Confesso que não sou grande (nem pequeno) fã da entrevistada, mas gostei da sua postura seca, do seu discurso frio e racional, da frontalidade e da objectividade com que respondeu às questões, nem sempre agradáveis ou fáceis, da entrevistadora. Servirá a entrevista e, principalmente, o livro como mais um testemunho vivo de parte da "história negra" nacional e mesmo internacional do século XX, protagonizada por essa "superioridade moral" chamada comunismo. Não fazia intensão de o comprar, mas agora, tenho razões para o fazer.

04 julho 2007

"A solidão campestre em que passei os melhores anos da minha juventude, a leitura dos bons livros a que me dediquei por inteiro, fortaleceram as minhas predisposições naturais para os sentimentos afectuosos, e tornaram-me devoto quase à maneira de Fénelon. A meditação em locais retirados, o estudo da natureza, a contemplação do universo, forçam um solitário a voltar-se incessantemente para o autor das coisas e a procurar com suave inquietação a finalidade de tudo o que vê e a causa de tudo o que sente. Quando o meu destino voltou a lançar-me na torrente do mundo, já aí não encontrei nada que pudesse, por um momento que fosse, atrair o meu coração."
Rousseau
bem vindo adeartes. É sempre bom ter por perto a certeza da excelência. Visitem nos atalhos.

Shopping Brasília

Enquanto faço horas para uma visita de revisão ao médico e porque está um dia chuvoso, decido-me revisitar este lugar mítico da invicta urbe.
É um dos espaços que trago nas memórias infantis, vindas dos finais dos anos 70, principios dos 80. Os dias de criança aqui passados foram, sem dúvida, de grande alegria para mim e para o meu irmão Daniel. Concerteza, tínhamos o direito a um gelado ou uma guloseima extraordinária e suplementar.
Nessa época, este centro comercial acabado de inaugurar (outubro de 1976) era o maior exemplo ibérico das novas tendências e modas... apesar de ainda num estado precoce de desenvolvimento, atraía as massas da população que, curiosas e com sede de inovação, podiam aqui experimentar novas sensações. Estava então em expansão e lembro-me perfeitamente da abertura de novas lojas, novas alas e pisos.
Hoje, ao deambular por estes infindáveis e labirinticos corredores, outrora largas e movimentadas avenidas, agora estreitas ruas, dadas as novas e pós-modernas exigências, experimento uma sensação estranha de nostalgia. Talvez não a consiga traduzir aqui, mas ao procurar pontos de referência de então, para me orientar, chego à conclusão que já nada está igual e que as lojas são diferentes. Contudo, consigo identificar uma das lojas que sempre aqui esteve e que sempre me atraiu: Isabel Queiroz do Vale... quem não se lembra dos anúncios da rádio e da tv... para além do "vale".
Depois de aleatoriamente e sem destino percorrer os vários pisos, alguns pormenores ressaltam-me à vista e à razão: num espaço curto de tempo, desde a porta de entrada, três pessoas pediram-me esmola; grande percentagem das lojas estão desocupadas; um número considerável das mesmas, está ocupada por lojistas orientais e indianos, o que demonstra bem a alteração e a substituição dos públicos que incluem nos seus circuitos pendulares citadinos este espaço comercial (aliás, este é um movimento urbano clássico e está por demais estudado - vejam o exemplo do centro comercial Dallas, na Av. da Boavista, onde a substituição dos logistas e consequentemente dos públicos, significou o princípio do fim do mesmo).
Por fim, uma palavra para o conceito e estrutura do próprio centro, que acusa o passar dos anos e que deixa perceber a necessidade de alteração dos percursos da população e públicos, para novos lugares e espaços habitacionais e comerciais, alguns daqui bem perto: cidade do porto e peninsula.
Ao revisitar o Brasília podemos sentir o (des)conforto de há umas décadas atrás, experimentar sensações demodé e em desuso... tudo mais pequeno e com uma lógica em extinção.
Quanto tempo mais aguenterá!?...

29 junho 2007

Novos Protagonismos

Comissão de acompanhamento do plano de ordenamento do parque natural de Montesinho ignorada

A comissão de acompanhamento do plano de ordenamento do parque natural de Montesinho, constituída no âmbito da assembleia municipal de Bragança denuncia uma total falta de respeito por parte do Instituto da Conservação da Natureza e do próprio ministro do ambiente, para com este órgão representativo das populações. Este organismo foi criado precisamente para defender os interesses do município e particularmente dos residentes na área do parque natural de Montesinho. A comissão, solicitou ao ICN informação sobre o plano de ordenamento mas nunca recebeu resposta.
Luís Vale, presidente desta comissão afirma que a tutela simplesmente atenta contra os direitos dos órgãos autárquicos democraticamente eleitos, e insiste que esta comissão mantém todo o interesse em acompanhar o processo para quando o documento chegar à fase de discussão pública poder dar um parecer devidamente fundamentado. Esta argumentação já foi enviada ao ministro do ambiente, mas mais uma vez a comissão ficou sem respostas: “ uma das últimas comunicações foi feita precisamente ao ministro do ambiente e também não obtivemos qualquer tipo de resposta a esse nosso contacto e daí também a nossa indignação relativamente a isso.”A comissão já teve acesso à proposta do plano de ordenamento, mas recorrendo à câmara municipal representada na comissão técnica de acompanhamento. No dia de Assembleia Municipal, espera-se uma discussão mais aprofundada sobre este tema.

Um momento de uma longa jornada

Consequências para o Concelho de Bragança e para o País, das políticas e opções do Governo na reestruturação dos serviços da Administração Pública.

Serão sempre de salutar iniciativas destas, que promovam a reflexão e a discussão sobre os reflexos e consequências que se sentem no concelho e na região das políticas e estratégias governamentais. Estaremos sempre disponíveis para essa reflexão, aliás, essa reflexão já há muito tempo está feita por nós e são mais do que conhecidas as permanentes consequências negativas para a região dessas estratégias e politicas nacionais. Aquilo que, neste momento, estranhamos é a necessidade, é a vontade do PSD em trazer isso para aqui, pois aquilo que acontece hoje, não difere daquilo que aconteceu ontem, nem será estranho o que acontecerá amanhã. Isto não significará que concordamos com a actual atitude política do governo socialista e não invalida que possámos criticar a sua actuação, que se tem caracterizado por uma obsessão reformista, fundamentada numa pseudo racionalização e contenção de despesas.

Gostaria de vos relembrar aquela frase que diz: “cada um só tem aquilo que merece”, o que se aplica na perfeição aos portugueses e a nós aqui também, pois quem tem votado nestes governos não merecerá muito mais do que aquilo que eles serão algum dia capaz de nos dar. Meus Senhores, minhas Senhoras, são já mais de trinta anos do mesmo…

Nas ciências sociais há um princípio metodológico que é frequentemente utilizado, designado holismo, em que para explicar um fenómeno particular ou individual, é sempre preciso analisar esse fenómeno como resultante de um conjunto de acções, de crenças ou de atitudes colectivas. De alguma forma, o holismo metodológico não valoriza o indivíduo na sua dimensão racional e psicológica, situando-o mais como um elemento dentro de uma estrutura social que orienta e explica a sua acção. Explicado de uma outra forma, o holismo privilegia o todo em detrimento das partes que o constituem.

Se utilizarmos este princípio metodológico nesta nossa reflexão, muito facilmente perceberemos que o paradigma actual se baseia nesta visão holista do país, aliás, em retrospectiva, concluímos que a visão dos sucessivos governos democráticos, até hoje, tem sido essa e a mesma, apesar de algumas nuances de protagonismos e pomposas designações.

O defeito desta perspectiva aplicada na administração e gestão do território, é o facto de este todo que é o país ser constituído por inúmeras partes com especificidades e com características próprias e dispares entre si, o que por si só, deveria obrigar a uma atenção e dedicação individual, de forma a garantir o sucesso de todas as partes e assim beneficiar o todo. Mas não, a prática é precisamente a oposta, decide-se para o todo e depois aplica-se indiscriminadamente pelas partes.

Os senhores do poder e dessa “coisa” superior que é a estratégia nacional, com esta visão holista do território, agarram-se aos números e às estatísticas para fazer e desfazer, sem conhecerem a real dimensão do país e das diferentes regiões e, principalmente, sem pensarem nas pessoas.

Dois exemplos desta prática comum no governo socialista:

1. A lei da mobilidade tem como objectivo eliminar 75 mil postos de trabalho na Administração Pública, que poderão ser substituídos por “tarefas” a realizar por trabalhadores e trabalhadoras sujeitos a vínculos precários (em outsourcing, com contratos individuais de trabalho ou contratos a termo). Os primeiros passos já foram dados no Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, onde a lista de pessoas a dispensar já foi elaborada pelos serviços. Tendo estas pessoas recebido uma carta a informar a sua colocação numa bolsa de emprego público, o que implica a passagem por várias fases, a saber:
- Uma transição de 60 dias, ganhando o mesmo salário;
- Uma requalificação de 10 meses, auferindo 5/6 do salário;
- e uma compensação por tempo indeterminado, ganhando 4/6 do salário;

Esta fase só termina quando o trabalhador reinicia funções num outro organismo público ou privado, se aposenta, se desvincula voluntariamente, ou (vejam bem) sofre uma pena disciplinar que provoque a desvinculação.

O que se pretende com isto e de facto, é desmoralizar as pessoas e levá-las a rescindir os seus contratos. Não se trata de agilizar ou rentabilizar os serviços públicos, mas sim de os fragilizar e privatizar. A obsessão do combate ao défice não é mais do que uma máscara de um processo que coloca trabalhadoras e trabalhadores da função pública em casa com cortes nos salários e deixa os cidadãos à mercê de piores serviços públicos afectando os seus direitos sociais.

2. O relatório da Comissão do Livro Branco das Relações Laborais, que foi esta semana apresentado pelo ministro do Trabalho aos parceiros sociais, propõe mudanças no Código Laboral que incluem a redução das férias para 23 dias, em vez dos 25 a que podem hoje chegar, a admissão de que ocorram despedimentos por alegação de incompetência. Propõe-se também a redução do valor do subsídio de férias, a impossibilidade de anular um despedimento em tribunal só por razões processuais e a liberdade de trabalhadores e empresas gerirem o número de horas de trabalho, através de bancos de horas.
A proposta alarga o número de situações previstas para que a empresa e o trabalhador possam acordar uma diminuição no salário, com o acordo da Inspecção de Trabalho.
Em relação à liberdade negocial, a lei actual diz que empresas e trabalhadores não podem acordar condições menos favoráveis do que as previstas nas convenções colectivas. A comissão admite mudar o artigo, para aumentar o grau de liberdade negocial.
O documento defende, ainda, que a lei não deve fixar um número de horas para a jornada de trabalho, mas referir apenas a duração de trabalho semanal e anual.

Outro elemento que gostaria de trazer para esta reflexão e que em muito tem prejudicado a nossa região é a essa “coisa” mais que pós-moderna da macro ou micro economia, que está na moda nos discursos dos políticos que é a escala. “É preciso adquirir escala!” ou “qualquer projecto tem que ter escala!” são frases que em catadupa saem da boca dos nossos governantes.

Exmos. e Exmas., desculpem-me mas não percebo como é que as pessoas podem ganhar escala. As pessoas não são coisas nem números… e quando falamos da nossa região, segundo eles, é disso que se trata, da falta de escala e dimensão. Por isso, há que centralizar esforços, meios e equipamentos para adquirir essa tal escala e, consequentemente, afastar os serviços das populações.

Aqui, assistimos a uma permanente troca de acusações entre a bancada do PS e a do PSD, no que diz respeito à culpabilidade destas acções. “Eu não, mas tu sim” – afirmam constantemente, sem perceberem que tanto faz, para a região, o governo ser de um partido ou de outro… estamos em perda e assim iremos continuar… até um dia.

26 junho 2007

Em Casa do Capitão-Mor

Reconhecido e público agradecimento póstumo ao Capitão-Mor por um dia ter "construído" este refúgio, onde levámos a próxima nossa geração.

22 junho 2007

Heterotopia

"O navio é a heterotopia por excelência. Nas civilizações sem barco, os sonhos esgotam-se, a espionagem substitui a aventura e a polícia os corsários." em 1948, Foucault
Bom fim-de-semana, a descobrir terras de Vieira do Minho, lá para a zona de Salto...

19 junho 2007

Criações Portuguesas

Hoje, num jornal ou numa rádio perto de si, este senhor (sem maiuscula) admite afinal, que a guerra no Iraque foi um erro, apesar das milhares de vítimas mortais, foi apenas um erro de avaliação e todos (!?) estão empenhados numa solução para minurar os efeitos negativos.... (os milhares de mortos e estropiados).

Este outro, é o novo Frankstein à Portuguesa!... Dedicado às causas mais nobres, aqui está o prototipo do sangue-suga económico, cultural e social à nossa moda, que vai amealhando e multiplicando o seu império às custas da incompetência das organizações, das instituições e do governo da nação. Senhor das grandes causas nacionais, há já quem lhe chame "Glorioso".

13 junho 2007

Mais um exemplo de "estado"

Morreu há dias a Profª Manuela Estanqueiro com 61 anos, a quem havia sido diagnosticada uma leucemia.
O caso ficaria por aqui não fora a violentíssima história em que se embrulhou, espelho feroz dos tempos ferozes em que vivemos.
A professora em Novembro de 2006 foi a uma junta médica e pediu a reforma.
Tinha mais de 30 anos de serviço, um cansaço imenso a persegui-la e uma leucemia invasora que sem piedade lhe encurtava os dias.
Com olhares de abundante reprovação e uma prosápia empaturrada de saber e de poder, a junta médica considerou que a professora estava apta para o desempenho das suas funções, sendo que deveria regressar ao serviço, sob pena de perder o vencimento.
A docente regressou durante 31 dias à sala de aula.
Vómitos, desmaios frequentes, a morte a espreitar em cada segundo que corria escandalosamente penoso, pontuaram a enormidade dos 31 dias, findos os quais entrou no Hospital donde não mais saiu até morrer.
Eram os colegas que a alimentavam na escola porque não tinha força para pegar nos talheres. Eram os colegas que a apoiavam nas turmas porque não tinha já capacidade para dar uma só aula.
A reforma chegar-lhe-ia por fim, uma semana antes da morte.
Quem foram os médicos que atestaram sobre a capacidade da professora para o exercício de funções?
Que instruções lhes foram dadas pelo sistema para agirem desta forma?
Que avaro e desgraçado país é este, que nega displicentemente um tempo mínimo de paz antes da morte a quem trabalhou a vida inteira e com a mesma criminosa displicência concede, ainda na força da vida, reformas milionárias, aos que, como pequenos chefes de turma obsequiosos e concisos prepararam, elaboraram e prescreveram o discurso da crise, do apertar do cinto, do défice, da contenção salarial, do congelamento das carreiras...?
Esta gente confortavelmente reformada e impante, vai depois continuar a ser consumidora de poder e de poderes, colocando-se e recolocando-se nos píncaros da hierarquia de todos os cargos. Vai continuar a arengar sobre a necessidade de baixos salários, apontando a navalha certeira ao coração do Estado Previdência.
Com uma loquacidade técnica, e um linguajar hermético, prova-nos a nós, preto no branco que devemos continuar a trabalhar até morrer, que os aumentos salariais não são aconselháveis, que os despedimentos ainda não são suficientes e que só atingiremos o paraíso quando a flexisegurança borboletear à nossa volta, na renovada Primavera do patronato.
E dizem tudo isto convictos e convincentes, fervorosos e despudorados.
Tempos houve, no Portugal da guerra colonial, em que os mancebos quando iam à inspecção militar eram todos apurados independentemente do seu estado de saúde. Contava-se que mesmo quando estavam a morrer, não ficavam isentos da tropa, ficando apenas "adiados".
O neoliberalismo que coloniza as nossas vidas age como os médicos cegos que preparavam a carne para canhão.
Era professora e tinha uma leucemia. Negaram-lhe a reforma que só chegaria oito dias antes de morrer.
por Alice Brito

11 junho 2007

Afinal o que era já não é, mas poderá ainda ser...

Em simultâneo a ver o telejornal da TVI, que abre com a novidade de a OTA afinal já não ser uma certeza. Afinal o deserto também já pode ser um oasis e o respectivo Ministro e seu Governo não sabem o que andam a dizer, o que se comprova por esta nova alteração de localização do aeroporto de Lisboa. Estamos num país que dizem, é uma espécie de república das bananas. Amanhã a especulação em Alcochete vai disparar e na Ota!?... coitados dos proprietários destes minifundios, simples agricultores que com as devidas expropriações receberiam as suas pensões vitalícias. Dizem que famílias como a de Mário Soares ponderam recorrer desta decisão junto do Tribunal dos Direitos do Homem.

07 junho 2007

Homem Cosmos

Percebo a dificuldade em perceberem este titulo, pois até eu não o percebo e, mais do que isso, não alcanço (ainda) o seu significado. Mas a partir de hoje (4ª feira, pois ainda não dormi), eu sou um homem Cosmos, e quem o afirmou, fê-lo com a convicção típica de quem acredita naquilo que está a dizer... eu é que fiquei com algumas dúvidas, mas, na circunstância, fui obrigado a reagir positivamente. Não sei se bem ou mal, desempenhei o meu papel. Enfim, sou um homem Cosmos e devo "vestir" a camisola desta equipa. Muito bem. Assim será.
Passo a explicar: depois de ter assinado um contrato de edição, via CTT, com a supra-citada, ficou agendada para este dia 6 de Junho a minha ida a Alpiarça conhecer o editor e a editora. Foi um momento interessante, pois o editor, Sr. Joaquim Garrido, foi muito amável e simpático. Apresentou-me a editora, seus funcionários, fiz uma visita guiada pelas instalações da gráfica associada e pude verificar todo o processo editorial. Muito interessante. Depois, a determinado momento, aconteceu algo para o qual eu não estava preparado, mas que sempre sonhara... ele chamou por uma funcionária e pediu-lhe sacos plásticos... começamos a caminhar por entre resmas de livros e foi escolhendo mais ou menos aleatoriamente livros que atirava para dentro dos sacos que, a funcionária atrás carregava e eu, a partir de determinado momento, também... eu não queria acreditar... e ele, afirmativo, dizia: "se algum que lhe interessar e me escapar, pode servir-se!"... como foi bom! Nunca tal me tinha acontecido. Foram dezenas e dezenas de livros que trouxe comigo... e simplesmente para que eu "possa ter uma ideia e conhecer a editora".
O que trouxe, sinceramente, não sei. Ainda não tive coragem de olhar para eles, mas concerteza, muitos não interessarão - fica prometida para breve uma relação exaustiva dos mesmos, mas por enquanto, prefiro continuar a ter aquela imagem "orgásmica" de um momento jamais vivido... Enfim, foi uma cosmogania.

04 junho 2007

Interstício em viagem

Em dia de fim-de-semana, numa viagem da Capital para o Porto, com a família mais que completa e porque o tempo estava agradável, pudemos fazer um intervalo. Por sugestão da mãe, a filha quis ir ver o sítio onde a "mãe" do céu apareceu aos pastorinhos. No 13 de Maio, altura em que nos canais portugueses, anualmente, assistimos a uma dose superlativa mas não analítica da hierofania local, o nosso rebento, curioso e não conseguindo atingir o sucedido, gravou na sua fresca memória esses fantásticos acontecimentos. Não imaginam a alegria da criança em pleno Santuário a perguntar, perguntar, perguntar.... e a surpreendente capacidade de imaginação nas respostas que nós, os progenitores, iamos dando em catadupa... sem, no entanto, racionalizarmos o que dizíamos... mas também não fará qualquer mal, pois estavamos no centro do mundo da imaginação, do fantástico, do magnifico mundo da fé e da crença em algo que, em muito, nos ultrapassa e será para todos nós eternamente intangível.
Deambulamos por todo o recinto, cumprimos os movimentos de todos e, mãe e filha miméticamente visitaram os lugares de eleição - igreja, capela e queimador de velas.
Para mim, ficaram os pormenores, numa atitude de observação não-participante vi: o altar do mundo de Maria, rodeado do mais puro dos ambientes, circundado por inumeros e sangrados joelhos e cotovelos, que num movimento eterno circunvalam, expiam seus pecados e pagam suas promessas; o self-service de velas - autentica bomba de abastecimento, na qual cada um paga o que entende...; o depósito de ex-votos em cera - pernas, narizes, pés, peitos, bocas, olhos, entre outros e um pouco de cada, como provas materiais de uma experiência sofrida; o silêncio supulcral a que todos se obrigam para a oração; a imponência de toda a construção e dos espaços; os constantes orifícios, espalhados pelas paredes de todo o recinto com a correspondente indicação (...esmolas....donativos....ofertas...); parte daquilo que será a maior, a mais espanpanante, a mais luxuosa, a mais dignificante construção mariana, ou seja, a nova catedral ainda em construção; e o mais incrivel, o afluxo de pessoas que em movimentos ininterruptos e mais ou menos organizados circulam pelo recinto e instalações.
Era um dia de Domingo e foi só um interstício.

01 junho 2007

Infantilidade

Uma vez mais, cá temos o nosso excelentissimo Ministro da Economia, o Dr. Manuel Pinho, a fazer, ou melhor, a dizer das suas... hoje, no noticiário das 13 horas da SIC e a propósito do mais que previsivel despedimento de cerca de 160 trabalhadores de uma multi-nacional americana com instalações em Évora, quando confrontado pelos jornalistas acerca dessa situação, diz que o mais importante são as crianças e que sendo o dia mundial da criança, nada mais importa... isto aconteceu hoje quando se encontrava numa escola EB de Lisboa, onde com António Mexia deu uma aula de sensibilização para as questões energéticas.
De facto o melhor do mundo são as crianças, mas vai ser preciso explicar ao Sr. Ministro que as criancinhas precisam que seus pais tenham onde ganhar o pão deles de cada dia.

31 maio 2007

Pés Descalços



Não tivessem sido estes últimos dias chuvosos, de intempéries e arrefecimentos nocturnos, e já este texto há muito tempo - talvez um ou dois meses, teria sido escrito e, aqui, publicado.
Ainda a Primavera não se tinha apresentado e as temperaturas ainda timidamente eram amenas e já muitos e, principalmente, muitas, despuradamente se começaram a despir para em público se apresentarem. O que, de resto, muito me agrada, pois é bem agradável perceber um decote mais acentuado ou um descapotável umbigo, bem no centro de uma barriguinha light, ultimamente e cada vez mais, equipados ou decorados com adereços vários (piercings, alfinetes, brincos, ou mesmo pregos e ferraduras...).
Destes dias primaveris até aos dias finais do equinócio, andarei, andaremos satisfeitos e consolados com as itinerantes e deambulantes esculturas e obras-de-arte que é possível, ao virar de cada esquina, apreciar e degustar. Ao mesmo tempo e, para mim, com uma persistência angustiante, seremos obrigados a conviver, e bem de perto, com os membros inferiores desnudados de terceiros, estranhos e desconhecidos, numa moda e num (des)conforto que não percebo nem aceito.
Objecto de culto pessoal e até de fantasias eróticas e sexuais, o pé, perfeitamente "calçado" por esta, a nossa, sociedade de consumo imediato e narcisista, que previligia o egocentrismo, ou seja, o eu no centro do universo, permite-se a todas as dedicações e cuidados, muitas luxúrias e até a circular desnudado, livre de qualquer censura ou constrangimento. Confesso que convivo mal com essa libertinagem e sinto-me incomodado pela presença de qualquer conjunto de pés, normalmente horríveis, que me obrigam a ver e a sentir...
Bem sei que há algumas excepções e que eles também andam por aí, bem tratados e bem apresentados, portanto bonitos. O problema é que cada um e cada uma arroga-se no direito, diga-se legitimo, de considerar o seu par bonito e por isso, passíveis de passearem publicamente nus. Mas não, não o são!... Lamento desiludir, a esmagadora maioria dos seres humanos têm pés feios, disformes, assimétricos, desconformes, horrendos e mal tratados. Por isso, deveriam ter vergonha e escondê-los dentro de um qualquer calçado, devidamente acondicionados e longe da vista e nariz do resto do mundo. É que para além da implícita questão estética, é, acima de tudo, um imperativo para a saúde pública e para a sã convivência social. Guardemos esse prazer de andar descalços, ou quase, para a intimidade dos espaços privados ou para os locais que a tal obrigam...

Rodapés:

Independentemente de poderem ser considerados bonitos ou não, os meus dois, por todas as razões e algumas mais, raramente apreciam a luz do sol e incomodam terceiros.

Pior, só mesmo aqueles que circulam espectacularmente de sandálias e com meias...

30 maio 2007

O meu corpo já não é, para mim, mais do que um estorvo, um obstáculo, e tanto quanto possível vou-me libertando dele.
Rousseau

26 maio 2007

1973 Agenda

O cheiro a velho, o toque empoeirado e a visão gasta das letras denunciam um tempo longínquo. Curiosa atracção por este volume, jamais visto. De página em página vou gravando, mentalmente, lugares, visitas, nomes, encontros e desencontros. Num desafiar lento do tempo, dia após dia chego a uma animada e colorida data, onde nada encontro registado. Pousada entre folhas, num frágil e fino papel colorido, a imagem da Senhora, amiga nossa nas horas aflitas e ansiosas. Por perto, um post-it amarelo envelhecido que apenas dizia: 227439361. Nasceu o Luís Miguel. EU.

25 maio 2007

Aquisições

Mal soube da abertura de mais uma edição da Feira do Livro do Porto, que este ano e pela última vez se realiza no Pavilhão Rosa Mota, pensei logo em lá ir nos primeiros dias e, de preferência, num dia de semana logo pela manhã, pois assim não encontraria tanta confusão e, nos primeiros dias, concerteza haveria mais livros.
Desconhecendo o horário de abertura, preparei-me para essa missão logo pela manhã do dia de hoje, fazendo contas para lá estar às 10 e pouco... Contudo, para espanto e desilusão minha, o recinto só abre às 16 horas durante todos os dias do certame. Então e todos aqueles que trabalham à tarde e à noite? e aqueles... os desocupados?... que injustiça. Não se faz.
Agora, passo a apresentar os meus mais recentes amigos, dos quais espero companhia e fidelidade até ao fim dos meus dias:
- "Conflitos e Água de Rega" de Fabienne Wateau, Colecção Portugal de Perto - Dom Quixote;
- "A Dimensão Oculta" de Edward T. Hall - Relógio D'Água;
- "Os Devaneios do Caminhante Solitário" de Jean-Jacques Rousseau - Livros Cotovia;
- "A Bíblia Hebraica" de George Steiner - Relógio D'Água;
- "Etnografia Portuguesa" de José Leite de Vasconcelos (volumes V, VI e IX) - Imprensa Nacional Casa da Moeda;

24 maio 2007

Momento Primeiro

Considerada a primeira fotografia onde aparece uma figura humana (descubram-na!...). Em chapa de prata representa o Boulevard du Temple em Paris, fotografado em 1838 por Daguerre da janela do seu estúdio.

23 maio 2007

O Presente é Abençoado

...e porque o resto será sempre recordado...
(a pensar na minha amiga, Fátima)

um homem junta folhas
num monte no seu quintal, uma pilha
e apoia-se no ancinho e
queima-as todas.
a fragrância enche a floresta
as crianças param e sentem o
aroma, que se tornará
nostalgia em alguns anos.
jim morrison in Abismos

22 maio 2007

Muito Bom



Como é bom ser surpreendido e encontrado por um desconhecido espécime... qualquer seu pormenor nos poderá atrair, seja um nome, um título, uma imagem, uma fotografia ou um grafismo, é indiferente. Será sempre uma agradável surpresa. Neste caso, manifestamente foi o título que me atraiu, mas desenganem-se pois nada no seu interior está directamente relacionado com o seu atributo. No seu índice encontramos textos variados sobre: Genius, Magia e Felicidade, O Dia do Juízo Final, Os Ajudantes, Paródia, Desejar, O Ser Especial, O Autor como Gesto, Elogio da Profanação, Os seis minutos mais belos da história do cinema.
Ensaio que é, descobriu-me um destes dias, deambulante no Sr. FNAC (tal como o meu irmão lhe chama...). Sem os mesmos o trouxe comigo. Lendo estou.

15 maio 2007

Lets look at the trailler

Até pode não ser especialmente fantástica. Pode até nem ser genial. Mas é uma ideia, e minha. Sei que em contacto com as pessoas certas, vingaria e poderia esperar um relativo sucesso. Mas não, não conheço essas certas individualidades que com o seu cunho garantem e certificam a melhor das qualidades às ideias.
Esta é a conclusão, triste diga-se, à qual anualmente me resigno, quando vejo o calendário de concursos do ICAM. Todos os anos por esta altura, este instituto apresenta um programa de apoios: à criação, à produção, à realização, à distribuição, à exibição e à promoção de obras de cinema, curtas e longas metragens, documentários, animação, entre outros. É muito dinheiro que alguns conseguem cativar para os seus projectos e ideias... eu não! A ideia minha continuará, assim, mais uns tempos na famosa gaveta... entretanto, se por um mero e infímo acaso, algum dos ilustres leitores for "expert" nestas "cousas" de Hollywood, clique no Correio, mesmo aqui do lado direito do monitor, e fale-me. Será com o maior dos prazeres que mostrarei uma trailler... Obrigado.

10 maio 2007

Dona Picolé

Assim me foi apresentada esta palhaça pela minha filha de 5 anos.
Agora, já refeitos e estavelmente instalados na nova habitação, é tempo de conhecer os novos co-habitantes dos mesmos espaços comuns. Através de encontros imediatos ou fortuitos, pequenas conversas e algumas reuniões de condóminos, lá vamos reconhecendo nas boas horas e cumprimentos os demais…
Apenas e só pelo facto de residir no mesmo prédio e ser nossa vizinha, esta personagem tornou-se mais próxima e familiar, mesmo sem saber muito bem porquê, como e quando, houve uma aproximação ao nosso agregado familiar: o fascínio da menor é por demais evidente e em casa já existe um cd da mesma, por si oferecido e devidamente autografado e dedicado; já houve uma sessão de “dança privada” e até, uma participação privilegiada no programa televisivo Praça da Alegria da RTP.
Aproveitando este tipo de reflexão importará dizer que até então a figura da palhaça Picolé, a do olhar piscante, negro e profundo, apesar de conhecida, era uma perfeita desconhecida. Mas agora, é figura incontornável para observação e para participação, ainda que ausente, em conversas de amigos e família (…muito à frente!... - dizem-me alguns amigos). Despida da personagem, tal como a conheci e não reconheci, descobri uma “miúda” interessante e simpática, de conversa acertiva e esclarecida. Assumidamente despenteada mental, é uma mulher de esquerda e tem por nome próprio Ana Paula.

25 abril 2007

Intervenção A.M. Bragança

Passados todos estes anos (muitos, dirão uns; poucos, dirão outros), ainda celebramos esta data. Celebramos este acto primeiro, refundador de um ethos nacional adormecido. Impulsionados por um movimento militar, de um punhado de homens, que apesar de decidido e acertivo, movia um mar de incertezas, de Norte a Sul, do Interior ao Litoral, homens e mulheres, velhos e jovens manifestaram a sua concordância, a sua vontade de mudança. Empunhando o símbolo primeiro e único dessa luta, o cravo vermelho. Símbolo que adquiriu nesse dia e para sempre, um lugar de destaque na simbologia politica nacional, ilustrando as novas opções: impunham-se o novo, o futuro e a mudança!
Esta Revolução derrubou uma velha e implacável ditadura, sustentada por um paradigma colonialista e repressivo, que utilizava, se necessário fosse, todos os meios disponíveis para manter o sistema e calar aqueles que se insurgissem e resistissem. O 25 de Abril acabou com um país velhaco, misantropo e resignado ao seu fado, assim como rompeu com um passado de miséria e pobreza, de isolamento e de guerras impostas e travadas em nome de um império caduco. Acabou, igualmente, com o monopólio e o controlo de meia dúzia de famílias poderosas que, até então, condenavam os portugueses a uma sobrevivência indigente e sub-humana ou ao recurso à famosa e famigerada emigração.
Por muito que custe a algumas pessoas, que não guardam memórias desse velhaco, que o querem a todo o custo esquecer, esconder, desculpabilizar ou mesmo recuperar, esse Portugal acabou e acabou bem nesta data e às mãos dos capitães de Abril. Também importa reafirmar que o 25 de Abril foi em Abril, não foi em Novembro, como alguns nos tentam fazer crer, reinventando uma história que não aconteceu como desejavam.
Festejar e comemorar o 25 de Abril, significa para nós e para mim, a celebração de um futuro sempre novo, uma eterna mudança e a certeza da insubmissão. Agora, promover este dia, por todo o país, como acto único, ano após ano, ritualmente repetido e enfadonho, com um carácter visivelmente revivalista e vazio de sentidos e significados… Não! Não vale mais a pena!... Até porque passámos os restantes 364 dias de cada ano a assistir, por parte dos arautos da democracia e liberdades, a um discurso e, principalmente, a uma prática diametralmente apostas aos valores de Abril.
Chegamos a um tempo, o suficientemente distante, para perceber que esta data para as actuais e novas gerações pouco ou nada significa, a não ser o facto de saberem que algures num passado mais ou menos longínquo, alguém instituiu esta data como dia feriado… tal como o 5 de Outubro, ou o 1º de Dezembro…. Outros momentos maiores da nossa história.
Abril trouxe consigo inúmeros factores a seu favor e que entretanto a História se encarregou de registar: os direitos políticos, o desenvolvimento económico, a abertura de Portugal à Europa e ao Mundo, a libertação cultural, a descolonização, entre outros. Tudo isto e mais, muito mais, depois (passados cerca de 2 anos) vertido e assumido pela Constituição da República, como princípios estruturadores e, acima de tudo, estruturantes. O seu impulso transformador e transgressor molda a nossa responsabilidade e obriga-nos ao exercício de uma cidadania exigente e solidária, mas também insubmissa.
A uma suposta crise da democracia, respondemos sempre com mais democracia;
À crise das instituições, respondemos com mais transparência, rigor e responsabilidade;
À crise da participação, respondemos sempre com mais participação popular;
À crise do Estado social, respondemos sempre com mais Estado social;
Não nos resignamos perante a pobreza, perante a desigualdade social e perante essa calamidade que é o desemprego!
Não aceitamos uma economia que sobrevive da especulação bolsista, do incumprimento fiscal e da mão-de-obra barata, para não dizer, esclavagista!
Não pactuamos com os despedimentos selvagens, os encerramentos fraudulentos, o trabalho precário e sem direitos e com o bloqueio da contratação colectiva!
Recusamos a guetização dos imigrantes e a exploração clandestina da sua força de trabalho!
Rejeitamos uma Europa e um Portugal neoliberal, de serviços públicos mínimos!
Desassombrado e sem qualquer receio do consagrado mito do eterno retorno, afirmo aqui o nosso, o meu compromisso e cumplicidade com a Revolução.
Viva e Sempre PORTUGAL!

23 abril 2007

Dia do Livro e das Leituras

Grande dia este. Pena é que poucos ou nenhuns sabem, gostam ou querem ler... mas não importa, pois optimista que sou, prefiro pensar que todos, ou quase, o fazem e muito. Vamos a ler, não interessa o quê, nem porquê. Sempre a ler. Talvez seja um dos poucos casos em que prefiro o brasileiro gerúndio: "estou lendo!..."

20 abril 2007

pendurico, ico, ico,
quem te empotealhou?
foi a velha meretrizada,
que chinfranima na bisálhica.

Um Vício de Boca

Se alguma qualidade em mim reconheço é o facto de não ser facilmente influenciável, o que para alguns é, pura e simplesmente, teimosia ou casmurrice. Até à data, a verdade é que não encontrei o “vício”, o tal que nos subtrai tudo e mais.
Tenho, isso sim, alguns prazeres. Considero-me até um viciado nesses prazeres, quase privados, que assiduamente vou cultivando, dos quais, aqui e agora, destaco, em género de confissão pública – um erro para quem ambições tem, uma vez que em público só as virtudes importam. Diariamente, ou quase, bem perto do serão – magnifica abstracção, o ritual em volta de um cachimbo adocicado com ervas holandesas e bebericado com um velho escocês de 12 ou mais de vida. Intimidade solitária e egoísta, esta minha.

19 abril 2007

a nossa noite ontem à tarde
foi a manhã por que esperávamos
manhã de David Mourão-Ferreira

17 abril 2007

Great Nation!

Aquilo a que assistimos ontem em directo a partir da Virginia Tech, nos EUA, choca e aterroriza. Mas já não estranhamos e já não ficamos muito incomodados, pois sabemos que lá, nessa grandiosa nação federação, já aconteceu mais vezes e concerteza, mais tarde ou mais cedo, voltará a acontecer. Se não for ali poderá ser além, ou acolá… se não for um assassino poderá ser um grupo, um bando ou um esquadrão… se não executarem 30, poderão ser só 10, ou 15… o que importa é que acontece e não acontece por acaso. Estamos a falar da nação que se auto-titula como a maior das democracias, arautos da intrínseca defesa das garantias individuais… que, acima de tudo, promove o “eu”, em detrimento do “tu”, do “ele”, do “nós”, do “vós” ou dos “eles”. Que permite e incentiva a posse e o porte de armas (pessoais e de defesa, dizem eles!?!...), e depois, incrédulos, admiram-se em dias como o de ontem.
Vivemos um tempo, recheado de espaços onde, diariamente, se morre, se chacina, por muito ou por pouco, mas por alguma razão – religiosa, política, estratégica ou económica. De tantos exemplos que nos violam a intimidade, aprendemos a relativizar a desgraça e o sofrimento alheios, pois acontecem, normalmente, bem longe, insensíveis não nos dói. Agora aqui, neste caso, no “país” do mundo, morre-se porque se vai à escola, porque se vai às compras, porque se vai meter gasolina, enfim, porque se está no sitio certo, só que na hora errada.

God Bless America!

13 abril 2007

Podemos Aprender Sempre

Não há muito tempo atrás ví, na SIC Notícias, uma reportagem sobre o segundo aniversário da revista ou jornal (!?) Courrier Internacional. Nesse evento, aliás muito VIP, compareceram as mais variadas personalidades da nossa sociedade e os elogios à publicação foram de tal ordem que despertou a minha curiosidade. Confesso que, apesar de já ter conhecimento da sua existência, nunca me passou pela cabeça sequer desfolhá-lo. Nessa mesma notícia, foi dito que para assinalar o 2º aniversário e o seu sucesso editorial, a próxima edição, que saíria dia 13 de Abril (hoje), seria gratuita. Registei na agenda, com alarme não fosse esquecer-me de olhar para esta página, para o ir buscar... (à velha maneira do português esperto e mais que os outros, que vai para o hipermercado e devora todas as promoções, porque gratuitas, que são apresentadas por simpáticas e frescas meninas...)
Assim fiz e, numa primeira abordagem, fiquei bem impressionado. Excelente fonte de informação global, por vezes detalhada, mas na sua maioria, resumida.
Assim se percebe como alguns senhores e algumas senhoras da nossa praça conseguem andar tão bem documentadas, informadas e actualizadas, dissertando sobre o mais infimo pormenor da vida deste mundo, daquilo que poucos conhecem e alguns pensam saber.
Hoje, achou-se mais um assíduo leitor semanal.

06 abril 2007

6ª feira a santa

No dia em que, dizem, Cristo foi crucificado, instituiu-se dia de descanso. Muitos, pertencentes à comunidade de Cristãos e, depois, à de Católicos, dedicam este dia à sua religião. Os especialistas desta religião, aqueles que organizam e estruturam toda a teoria e prática religiosa, determinando aquilo que pode e deve ser alvo de culto e veneração, assim como definem as noções de "bem" e "mal", impuseram, num passado bem longínquo e, para mim, desconhecido, que neste dia, se impunha à comunidade, salvo excepção para as crianças, os idosos e os doentes, a abstinência e o jejum. Algo que até se pode perceber se contextualizado temporalmente, mas a verdade é que esta tradição foi perdurando no tempo e chegou aos nossos dias, transformando-se num preceito completamente absoleto.
Nada tenho contra os dias de feriados religiosos, muito menos me incomoda qualquer tradição ou prática religiosa, crenças ou devoções que levam a este tipo de obediência. Mas custa-me, intestinalmente incomoda-me saber que neste dia, ano após ano, tenho que, por respeito a terceiros, cumprir tal preceito.
Garanto-vos que um dia, seja esse dia quando for, quando e se for eu o patriarca, algo de diferente acontecerá... fica assim e aqui, registado o meu desconforto e descontentamento.

03 abril 2007

Guardas de Roma

Um excelente docudrama gravado em alta definição. Um fantástico thriller cuja acção decorre no reinado de Nero.


No ano 64 depois de Cristo, Roma é a maior metrópole que o mundo já viu, com uma população de um milhão de pessoas... Mas quando o inferno se ergue nas suas sete colinas, dois terços dessa metrópole são destruídos pelo fogo deixando 200.000 pessoas sem casa. Um rumor eleva-se: "Foi Nero quem deitou fogo". Os inúneros inimigos do Imperador estão sedentos do seu sangue.Para desviar as atenções desta vaga de hostiliadde Nero deita as culpas para um grupo de pessoas que adoravam um deus chamado Cristo, não reconhecendo as divindades de Roma.... Estes cristãos são denunciados e perseguidos.... Quem incendiou Roma?... Um fantástico thriller passado na Roma Imperial, durante o reinado de Nero.

Hoje à noite na 2: