---------"Viajar, ou mesmo viver, sem tirar notas é uma irresponsabilidade..." Franz Kafka (1911)--------- Ouvir, ler e escrever. Falar, contar e descrever. O prazer de viver. Assim partilho minha visão do mundo. [blogue escrito, propositadamente, sem abrigo e contra, declaradamente, o novo Acordo Ortográfico]
05 outubro 2007
Sim..., pois é... eu também!...
02 outubro 2007
Bem Vindo à Família
01 outubro 2007
Mundial Dia da Música
when de music's over, turn of the lights,
turn of the lights for the music is your special friend.
dance on fire as it intends,
music is your only friend until the end.
cancel my subscription to the ressurrection,
send my credentials to the house of detention,
i got some friends inside,
the face in the mirror won't stop,
the girl in the window won't stop.
a feas of friends alive she cried,
waiting for me inside.
before i sink into the big sleep,
i want to hear
the scream of the butterfly.
come back, baby, back into my arms.
we're getting tired of hangin' around,
waiting around with our heads to the ground.
i hear a very gentle sound,
very near yet very far, very softly, very clear,
come today, come today.
what have they done to the earth?
what have they done to our fair sister?
ravaged and plundered and ripped her and bit her,
stuck her with knives in the side of the dawn
and tied her with fences and dragged her down.
i hear a very gentle sound...
with your ear down to the ground...
we want the world and we want it... now!
persian night! see the light!
save us! jesus! save us!
when de music's over, turn of the lights,
turn of the lights for the music is your special friend.
dance on fire as it intends,
music is your only friend until the end... until the end!
27 setembro 2007
Dignidade e Respeito
25 setembro 2007
22 setembro 2007
Candidatura ao (des)emprego
Violentam-nos na Carteira
Para além de também, simbolicamente, e a partir de agora, ser o próprio estado a prever e a aceitar que, de facto, os Portugueses e as Portuguesas são violentamente agredidos na carteira.
17 setembro 2007
Refresh de Aquisições
- Urtigão, Ramalho, 2007, As Farpas - vol. 5, Lisboa, Círculo de Leitores;
- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. I - Festas, Costumes e outros materiais..., Lisboa, Publicações Dom Quixote;
- Coelho, Adolfo, 1993, Obra Etnográfica - vol. II - Cultura Popular e Educação, Lisboa, Publicações Dom Quixote;
- Parafita, Alexandre, 2002, Antologia de Contos Populares - vol. 2, Lisboa, Plátano Editora;
- Parafita, Alexandre, 2007, Os Provérbios e a Cultura Popular, Vila Nova de Gaia, Edições Gaialivro;
- Moutinho, José Viale, 2007, Lendas de Trás-os-Montes e Alto Douro, Lisboa, Esfera do Caos;
12 setembro 2007
Livraria Leitura
A Leitura foi sempre a minha livraria. Não estarei a exagerar se disser que 90% dos meus livros foram lá adquiridos. Como está localizada no centro da cidade do Porto e dada a minha preguicite congénita e crónica, nunca fui um visitante ou cliente assíduo, preferi sempre reunir em lista as compras necessárias e, depois então, uma ou duas vezes por ano, fazer a minha demorada visita.
O que sempre mais me agradou neste espaço foi a grande variedade e qualidade de títulos e obras, assim como a grande disponibilidade dos funcionários para nos auxiliar, orientar e sugerir. Também, o facto de podermos encomendar qualquer obra, em qualquer idioma, era apreciado e vantajoso.
Enfim, fica aqui esta nota de tristeza e de desconforto, sentida pelo desaparecimento da única livraria técnica das sociais ciências e afins da Invicta.
11 setembro 2007
Study Case
08 setembro 2007
05 setembro 2007
Serviço Público
26 agosto 2007
Homenagem
20 agosto 2007
Agosto, mês dos portugueses todos
Sentado numa cadeira de escola, em Vila Flor, enquanto os demais comensais devoram as recorrentes mesas de aperitivos, numa tentativa de observação distanciada, reparo nos comportamentos e apetites vorazes que, de uma só acentada, devoram tudo e mais.
Depois, mal o anfitrião convida para o almoço, lá vai o rebanho todo, ao primeiro toque, todos respondem... Entretanto, e porque era preciso dar tempo para que as iguarias ficassem prontas, o mesmo anfitrião, também músico, resolveu dar alguma música ao "pessoal".
E isso sim, foi o momento. A razão destas palavras, pois que não restem dúvidas de que o português está aqui. Isto é Portugal, e nós os de cá gostamos é disto, alegria, bem dançada e, se possível, bem bebida.
Tudo está ainda bem, neste momento em que acabo estas palavras... Talvez mais logo outra música se sinta.
07 agosto 2007
Les Veilles des Vacances
Par rapport aux moments dans Trás-os-Montes deux ou trois de certains choses: beaucoup de repos, beaucoup de visites aux archives de zone - placer par excellence pour lire et étudier, et quelques après-midis et nuits en Vila Boa, centre de mon monde et où pour ces tailles, cycliquement d'année pendant l'année, je vais en trouver de cela que je sais depuis toujours, mais des forces plus grandes et des circonstances de la vie, suis obligé de vivre bien loin. Le village rétablit… est asse'à marcher un minute pour ses rues, pour percevoir que c'est mois d'août… cependant, et année après année, je démontre cela chaque fois que je suis ignorant de plus de personnes, principalement nouveau.
Il est temps de trouver vieux connu, des parents et des enfants, des familles, voisin et des amis. Celui est la période de sa réintégration dans le groupe qui, obstinément et l'eternum d'annonce, veut appartenir. Moi aussi et sans doutes… bien qu'à plus apprécier le calme et la tranquilité que le village me fournit en mois restants de l'année.
Pour savoir et percevoir la motivation et la volonté de ces autres, au Portugal, connu pour des avecs, que nous elles sommes égaux, bien que les différences relatives, elles je consacrent ces mots, ainsi écrit dans le Français.
06 agosto 2007
Um dia heróis, depois e agora, hediondos assassinos
03 agosto 2007
Canhoto e esquizofrénico
29 julho 2007
Boa Sorte
26 julho 2007
Idade Outra
23 julho 2007
Estar à Janela
Num qualquer lugar e num qualquer momento, dei comigo a pensar e a reflectir sobre o estado ou condição que é estar à janela. Estranho e, para mim, anormal, pois raramente me encontro em tal circunstância. Pelas avenidas das cidades e localidades, por onde diariamente circulo, tento, em diferentes horas e momentos do dia e noite, apanhar, em flagrante, alguém à janela. Tarefa difícil...
Até há uns anos atrás, num tempo de uma outra vivência e de uma outra mentalidade, a janela era uma instância. Nada acontecia que não fosse à janela. Era um espaço social. Por excelência, alvo de inúmeras odes, em trovadorescas cantigas de amigo e de amor, eruditos elogios e várias prosaicas considerações, a janela faz parte do nosso património imaginário e de uma simbologia nacional de uma existência de antanho. Quem não recorda as famosas estrofes de Vitorino, onde ele encontra à janela a menina com os cabelos ao vento e tem que esperar por uma prenda dela para se poder ir embora...
De facto, hoje em dia e cada vez mais, as janelas perderam a sua função social, ou seja, já não se vai para a janela e por lá se fica... Quem é que, hoje, se põe à janela!?... Ninguém ou quase ninguém...Ainda assim, e depois de inúmeras observações que testaram esta minha teoria, para confirmar a mesma, indaguei amigos e conhecidos e, salvo (a cada vez mais rara) excepção dos fumadores, que afirmam utilizar as mesmas para não poluírem os ambientes interiores, todos os outros admitem (denotando eu nas suas expressões alguma perplexidade pela constatação) nunca ou quase, irem ou estarem à janela.
Pois é, cada vez mais, as janelas são entendidas como elementos construtivos funcionais, fundamentalmente, como meios de conseguir luz e ar. No dia em que nos apresentarem alternativas sugestivas não acredito que lhe possámos resistir. Num futuro, que desconheço se próximo ou não, concerteza outras soluções surgirão e sem grandes pejos, trocaremos as actuais e inúteis janelas por essas outras formas de vermos e sentirmos o mundo que nos envolve.
Não me lembro de estar à janela. Essa predisposição para ver "quem passa" indicará também um conjunto de atitudes ou estados mentais, tais como: passividade, conformismo, indiferença ou alienação.Eu prefiro continuar a ser quem passa...
20 julho 2007
18 julho 2007
Em Digressão
16 julho 2007
Com o fim à vista
Depois de 1800 páginas divididas em 4 livros e quando me faltam cerca de 20 páginas do epílogo, posso partilhar a satisfação daquilo que, um dia (em Novembro de 2005), obstinadamente decidi fazer. Passado este tempo todo, por entre muitos outros registos, consegui vencer a "guerra" que este clássico me ofereceu e, agora, em "paz" poderei derivar e escolher outro objecto para a minha teimosia em colmatar as graves omissões de um tempo ido, no qual muito e bom me escapou.13 julho 2007
Eu também...
12 julho 2007
O Mercado
11 julho 2007
Dia Mundial da População
Assim escrevia, já em 1950, Miguel Torga acerca das etnográficas clivagens portuguesas. Salvaguardando as devidas evoluções e distâncias, muito provavelmente, hoje, Miguel Torga não alteraria muito do seu texto ao observar a realidade portuguesa.
Neste momento, recordo também o clássico e fundador trabalho de Thomas Malthus, que em plena Revolução Industrial Inglesa, pensa, analisa e reflecte sobre a demografia e a economia "mundiais". O Ensaio sobre o Princípio da População, publicado em 1798 é uma obra notável pela sua presciência da realidade do planeta nos séculos seguintes e até aos dias de hoje. Um trabalho que deveria ser lido pelos nossos governantes, principalmente por aqueles que pensam e decidem o país e gerem o território.
10 julho 2007
Aquisições
- "A Indústria das Sedas em Trás-os-Montes (1835-1870)" de Fernando de Sousa, Edições Cosmos, 2001;
- "Portugal" de Miguel Torga, Dom Quixote, 2007;
- "A Sagração da Primavera" de Aurélio Lopes, Edições Cosmos, 2007;
- "O Enterro do Galo" de Aurélio Lopes e João Serrano, Edições Cosmos, 2006;
- "O Silêncio dos Livros" de George Steiner, Gradiva, 2006;
08 julho 2007
Sete Maravilhas!?....
As antigas e ainda muito válidas MARAVILHAS:
Pirâmides de Gizé
Jardins Suspensos da Babilônia
Estátua de Zeus em Olímpia
Templo de Ártemis em Éfeso
Mausoléu de Halicarnasso
Colosso de Rodes
Farol de Alexandria
05 julho 2007
Momento Interessante
04 julho 2007
Shopping Brasília
Enquanto faço horas para uma visita de revisão ao médico e porque está um dia chuvoso, decido-me revisitar este lugar mítico da invicta urbe.29 junho 2007
Novos Protagonismos
Luís Vale, presidente desta comissão afirma que a tutela simplesmente atenta contra os direitos dos órgãos autárquicos democraticamente eleitos, e insiste que esta comissão mantém todo o interesse em acompanhar o processo para quando o documento chegar à fase de discussão pública poder dar um parecer devidamente fundamentado. Esta argumentação já foi enviada ao ministro do ambiente, mas mais uma vez a comissão ficou sem respostas: “ uma das últimas comunicações foi feita precisamente ao ministro do ambiente e também não obtivemos qualquer tipo de resposta a esse nosso contacto e daí também a nossa indignação relativamente a isso.”A comissão já teve acesso à proposta do plano de ordenamento, mas recorrendo à câmara municipal representada na comissão técnica de acompanhamento. No dia de Assembleia Municipal, espera-se uma discussão mais aprofundada sobre este tema.
Um momento de uma longa jornada
Gostaria de vos relembrar aquela frase que diz: “cada um só tem aquilo que merece”, o que se aplica na perfeição aos portugueses e a nós aqui também, pois quem tem votado nestes governos não merecerá muito mais do que aquilo que eles serão algum dia capaz de nos dar. Meus Senhores, minhas Senhoras, são já mais de trinta anos do mesmo…
Nas ciências sociais há um princípio metodológico que é frequentemente utilizado, designado holismo, em que para explicar um fenómeno particular ou individual, é sempre preciso analisar esse fenómeno como resultante de um conjunto de acções, de crenças ou de atitudes colectivas. De alguma forma, o holismo metodológico não valoriza o indivíduo na sua dimensão racional e psicológica, situando-o mais como um elemento dentro de uma estrutura social que orienta e explica a sua acção. Explicado de uma outra forma, o holismo privilegia o todo em detrimento das partes que o constituem.
Se utilizarmos este princípio metodológico nesta nossa reflexão, muito facilmente perceberemos que o paradigma actual se baseia nesta visão holista do país, aliás, em retrospectiva, concluímos que a visão dos sucessivos governos democráticos, até hoje, tem sido essa e a mesma, apesar de algumas nuances de protagonismos e pomposas designações.
O defeito desta perspectiva aplicada na administração e gestão do território, é o facto de este todo que é o país ser constituído por inúmeras partes com especificidades e com características próprias e dispares entre si, o que por si só, deveria obrigar a uma atenção e dedicação individual, de forma a garantir o sucesso de todas as partes e assim beneficiar o todo. Mas não, a prática é precisamente a oposta, decide-se para o todo e depois aplica-se indiscriminadamente pelas partes.
Os senhores do poder e dessa “coisa” superior que é a estratégia nacional, com esta visão holista do território, agarram-se aos números e às estatísticas para fazer e desfazer, sem conhecerem a real dimensão do país e das diferentes regiões e, principalmente, sem pensarem nas pessoas.
Dois exemplos desta prática comum no governo socialista:
1. A lei da mobilidade tem como objectivo eliminar 75 mil postos de trabalho na Administração Pública, que poderão ser substituídos por “tarefas” a realizar por trabalhadores e trabalhadoras sujeitos a vínculos precários (em outsourcing, com contratos individuais de trabalho ou contratos a termo). Os primeiros passos já foram dados no Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, onde a lista de pessoas a dispensar já foi elaborada pelos serviços. Tendo estas pessoas recebido uma carta a informar a sua colocação numa bolsa de emprego público, o que implica a passagem por várias fases, a saber:
- Uma transição de 60 dias, ganhando o mesmo salário;
- Uma requalificação de 10 meses, auferindo 5/6 do salário;
- e uma compensação por tempo indeterminado, ganhando 4/6 do salário;
Esta fase só termina quando o trabalhador reinicia funções num outro organismo público ou privado, se aposenta, se desvincula voluntariamente, ou (vejam bem) sofre uma pena disciplinar que provoque a desvinculação.
O que se pretende com isto e de facto, é desmoralizar as pessoas e levá-las a rescindir os seus contratos. Não se trata de agilizar ou rentabilizar os serviços públicos, mas sim de os fragilizar e privatizar. A obsessão do combate ao défice não é mais do que uma máscara de um processo que coloca trabalhadoras e trabalhadores da função pública em casa com cortes nos salários e deixa os cidadãos à mercê de piores serviços públicos afectando os seus direitos sociais.
2. O relatório da Comissão do Livro Branco das Relações Laborais, que foi esta semana apresentado pelo ministro do Trabalho aos parceiros sociais, propõe mudanças no Código Laboral que incluem a redução das férias para 23 dias, em vez dos 25 a que podem hoje chegar, a admissão de que ocorram despedimentos por alegação de incompetência. Propõe-se também a redução do valor do subsídio de férias, a impossibilidade de anular um despedimento em tribunal só por razões processuais e a liberdade de trabalhadores e empresas gerirem o número de horas de trabalho, através de bancos de horas.
A proposta alarga o número de situações previstas para que a empresa e o trabalhador possam acordar uma diminuição no salário, com o acordo da Inspecção de Trabalho.
Em relação à liberdade negocial, a lei actual diz que empresas e trabalhadores não podem acordar condições menos favoráveis do que as previstas nas convenções colectivas. A comissão admite mudar o artigo, para aumentar o grau de liberdade negocial.
O documento defende, ainda, que a lei não deve fixar um número de horas para a jornada de trabalho, mas referir apenas a duração de trabalho semanal e anual.
Outro elemento que gostaria de trazer para esta reflexão e que em muito tem prejudicado a nossa região é a essa “coisa” mais que pós-moderna da macro ou micro economia, que está na moda nos discursos dos políticos que é a escala. “É preciso adquirir escala!” ou “qualquer projecto tem que ter escala!” são frases que em catadupa saem da boca dos nossos governantes.
Exmos. e Exmas., desculpem-me mas não percebo como é que as pessoas podem ganhar escala. As pessoas não são coisas nem números… e quando falamos da nossa região, segundo eles, é disso que se trata, da falta de escala e dimensão. Por isso, há que centralizar esforços, meios e equipamentos para adquirir essa tal escala e, consequentemente, afastar os serviços das populações.
Aqui, assistimos a uma permanente troca de acusações entre a bancada do PS e a do PSD, no que diz respeito à culpabilidade destas acções. “Eu não, mas tu sim” – afirmam constantemente, sem perceberem que tanto faz, para a região, o governo ser de um partido ou de outro… estamos em perda e assim iremos continuar… até um dia.
27 junho 2007
26 junho 2007
Em Casa do Capitão-Mor
22 junho 2007
Heterotopia
21 junho 2007
19 junho 2007
Criações Portuguesas
Este outro, é o novo Frankstein à Portuguesa!... Dedicado às causas mais nobres, aqui está o prototipo do sangue-suga económico, cultural e social à nossa moda, que vai amealhando e multiplicando o seu império às custas da incompetência das organizações, das instituições e do governo da nação. Senhor das grandes causas nacionais, há já quem lhe chame "Glorioso".13 junho 2007
Mais um exemplo de "estado"
O caso ficaria por aqui não fora a violentíssima história em que se embrulhou, espelho feroz dos tempos ferozes em que vivemos.
A professora em Novembro de 2006 foi a uma junta médica e pediu a reforma.
Tinha mais de 30 anos de serviço, um cansaço imenso a persegui-la e uma leucemia invasora que sem piedade lhe encurtava os dias.
Com olhares de abundante reprovação e uma prosápia empaturrada de saber e de poder, a junta médica considerou que a professora estava apta para o desempenho das suas funções, sendo que deveria regressar ao serviço, sob pena de perder o vencimento.
A docente regressou durante 31 dias à sala de aula.
Vómitos, desmaios frequentes, a morte a espreitar em cada segundo que corria escandalosamente penoso, pontuaram a enormidade dos 31 dias, findos os quais entrou no Hospital donde não mais saiu até morrer.
Eram os colegas que a alimentavam na escola porque não tinha força para pegar nos talheres. Eram os colegas que a apoiavam nas turmas porque não tinha já capacidade para dar uma só aula.
A reforma chegar-lhe-ia por fim, uma semana antes da morte.
Quem foram os médicos que atestaram sobre a capacidade da professora para o exercício de funções?
Que instruções lhes foram dadas pelo sistema para agirem desta forma?
Que avaro e desgraçado país é este, que nega displicentemente um tempo mínimo de paz antes da morte a quem trabalhou a vida inteira e com a mesma criminosa displicência concede, ainda na força da vida, reformas milionárias, aos que, como pequenos chefes de turma obsequiosos e concisos prepararam, elaboraram e prescreveram o discurso da crise, do apertar do cinto, do défice, da contenção salarial, do congelamento das carreiras...?
Esta gente confortavelmente reformada e impante, vai depois continuar a ser consumidora de poder e de poderes, colocando-se e recolocando-se nos píncaros da hierarquia de todos os cargos. Vai continuar a arengar sobre a necessidade de baixos salários, apontando a navalha certeira ao coração do Estado Previdência.
Com uma loquacidade técnica, e um linguajar hermético, prova-nos a nós, preto no branco que devemos continuar a trabalhar até morrer, que os aumentos salariais não são aconselháveis, que os despedimentos ainda não são suficientes e que só atingiremos o paraíso quando a flexisegurança borboletear à nossa volta, na renovada Primavera do patronato.
E dizem tudo isto convictos e convincentes, fervorosos e despudorados.
Tempos houve, no Portugal da guerra colonial, em que os mancebos quando iam à inspecção militar eram todos apurados independentemente do seu estado de saúde. Contava-se que mesmo quando estavam a morrer, não ficavam isentos da tropa, ficando apenas "adiados".
O neoliberalismo que coloniza as nossas vidas age como os médicos cegos que preparavam a carne para canhão.
Era professora e tinha uma leucemia. Negaram-lhe a reforma que só chegaria oito dias antes de morrer.
11 junho 2007
Afinal o que era já não é, mas poderá ainda ser...
07 junho 2007
Homem Cosmos
04 junho 2007
Interstício em viagem
01 junho 2007
Infantilidade
Uma vez mais, cá temos o nosso excelentissimo Ministro da Economia, o Dr. Manuel Pinho, a fazer, ou melhor, a dizer das suas... hoje, no noticiário das 13 horas da SIC e a propósito do mais que previsivel despedimento de cerca de 160 trabalhadores de uma multi-nacional americana com instalações em Évora, quando confrontado pelos jornalistas acerca dessa situação, diz que o mais importante são as crianças e que sendo o dia mundial da criança, nada mais importa... isto aconteceu hoje quando se encontrava numa escola EB de Lisboa, onde com António Mexia deu uma aula de sensibilização para as questões energéticas.31 maio 2007
Pés Descalços

Não tivessem sido estes últimos dias chuvosos, de intempéries e arrefecimentos nocturnos, e já este texto há muito tempo - talvez um ou dois meses, teria sido escrito e, aqui, publicado.
Ainda a Primavera não se tinha apresentado e as temperaturas ainda timidamente eram amenas e já muitos e, principalmente, muitas, despuradamente se começaram a despir para em público se apresentarem. O que, de resto, muito me agrada, pois é bem agradável perceber um decote mais acentuado ou um descapotável umbigo, bem no centro de uma barriguinha light, ultimamente e cada vez mais, equipados ou decorados com adereços vários (piercings, alfinetes, brincos, ou mesmo pregos e ferraduras...).
Destes dias primaveris até aos dias finais do equinócio, andarei, andaremos satisfeitos e consolados com as itinerantes e deambulantes esculturas e obras-de-arte que é possível, ao virar de cada esquina, apreciar e degustar. Ao mesmo tempo e, para mim, com uma persistência angustiante, seremos obrigados a conviver, e bem de perto, com os membros inferiores desnudados de terceiros, estranhos e desconhecidos, numa moda e num (des)conforto que não percebo nem aceito.
Objecto de culto pessoal e até de fantasias eróticas e sexuais, o pé, perfeitamente "calçado" por esta, a nossa, sociedade de consumo imediato e narcisista, que previligia o egocentrismo, ou seja, o eu no centro do universo, permite-se a todas as dedicações e cuidados, muitas luxúrias e até a circular desnudado, livre de qualquer censura ou constrangimento. Confesso que convivo mal com essa libertinagem e sinto-me incomodado pela presença de qualquer conjunto de pés, normalmente horríveis, que me obrigam a ver e a sentir...
Bem sei que há algumas excepções e que eles também andam por aí, bem tratados e bem apresentados, portanto bonitos. O problema é que cada um e cada uma arroga-se no direito, diga-se legitimo, de considerar o seu par bonito e por isso, passíveis de passearem publicamente nus. Mas não, não o são!... Lamento desiludir, a esmagadora maioria dos seres humanos têm pés feios, disformes, assimétricos, desconformes, horrendos e mal tratados. Por isso, deveriam ter vergonha e escondê-los dentro de um qualquer calçado, devidamente acondicionados e longe da vista e nariz do resto do mundo. É que para além da implícita questão estética, é, acima de tudo, um imperativo para a saúde pública e para a sã convivência social. Guardemos esse prazer de andar descalços, ou quase, para a intimidade dos espaços privados ou para os locais que a tal obrigam...
Independentemente de poderem ser considerados bonitos ou não, os meus dois, por todas as razões e algumas mais, raramente apreciam a luz do sol e incomodam terceiros.
Pior, só mesmo aqueles que circulam espectacularmente de sandálias e com meias...
30 maio 2007
26 maio 2007
1973 Agenda
25 maio 2007
Aquisições
24 maio 2007
Momento Primeiro
23 maio 2007
O Presente é Abençoado
(a pensar na minha amiga, Fátima)
um homem junta folhas
num monte no seu quintal, uma pilha
e apoia-se no ancinho e
queima-as todas.
a fragrância enche a floresta
as crianças param e sentem o
aroma, que se tornará
nostalgia em alguns anos.
22 maio 2007
Muito Bom

17 maio 2007
15 maio 2007
Lets look at the trailler
10 maio 2007
Dona Picolé
Assim me foi apresentada esta palhaça pela minha filha de 5 anos.Agora, já refeitos e estavelmente instalados na nova habitação, é tempo de conhecer os novos co-habitantes dos mesmos espaços comuns. Através de encontros imediatos ou fortuitos, pequenas conversas e algumas reuniões de condóminos, lá vamos reconhecendo nas boas horas e cumprimentos os demais…
Apenas e só pelo facto de residir no mesmo prédio e ser nossa vizinha, esta personagem tornou-se mais próxima e familiar, mesmo sem saber muito bem porquê, como e quando, houve uma aproximação ao nosso agregado familiar: o fascínio da menor é por demais evidente e em casa já existe um cd da mesma, por si oferecido e devidamente autografado e dedicado; já houve uma sessão de “dança privada” e até, uma participação privilegiada no programa televisivo Praça da Alegria da RTP.
Aproveitando este tipo de reflexão importará dizer que até então a figura da palhaça Picolé, a do olhar piscante, negro e profundo, apesar de conhecida, era uma perfeita desconhecida. Mas agora, é figura incontornável para observação e para participação, ainda que ausente, em conversas de amigos e família (…muito à frente!... - dizem-me alguns amigos). Despida da personagem, tal como a conheci e não reconheci, descobri uma “miúda” interessante e simpática, de conversa acertiva e esclarecida. Assumidamente despenteada mental, é uma mulher de esquerda e tem por nome próprio Ana Paula.
25 abril 2007
Intervenção A.M. Bragança
Esta Revolução derrubou uma velha e implacável ditadura, sustentada por um paradigma colonialista e repressivo, que utilizava, se necessário fosse, todos os meios disponíveis para manter o sistema e calar aqueles que se insurgissem e resistissem. O 25 de Abril acabou com um país velhaco, misantropo e resignado ao seu fado, assim como rompeu com um passado de miséria e pobreza, de isolamento e de guerras impostas e travadas em nome de um império caduco. Acabou, igualmente, com o monopólio e o controlo de meia dúzia de famílias poderosas que, até então, condenavam os portugueses a uma sobrevivência indigente e sub-humana ou ao recurso à famosa e famigerada emigração.
Por muito que custe a algumas pessoas, que não guardam memórias desse velhaco, que o querem a todo o custo esquecer, esconder, desculpabilizar ou mesmo recuperar, esse Portugal acabou e acabou bem nesta data e às mãos dos capitães de Abril. Também importa reafirmar que o 25 de Abril foi em Abril, não foi em Novembro, como alguns nos tentam fazer crer, reinventando uma história que não aconteceu como desejavam.
Festejar e comemorar o 25 de Abril, significa para nós e para mim, a celebração de um futuro sempre novo, uma eterna mudança e a certeza da insubmissão. Agora, promover este dia, por todo o país, como acto único, ano após ano, ritualmente repetido e enfadonho, com um carácter visivelmente revivalista e vazio de sentidos e significados… Não! Não vale mais a pena!... Até porque passámos os restantes 364 dias de cada ano a assistir, por parte dos arautos da democracia e liberdades, a um discurso e, principalmente, a uma prática diametralmente apostas aos valores de Abril.
Chegamos a um tempo, o suficientemente distante, para perceber que esta data para as actuais e novas gerações pouco ou nada significa, a não ser o facto de saberem que algures num passado mais ou menos longínquo, alguém instituiu esta data como dia feriado… tal como o 5 de Outubro, ou o 1º de Dezembro…. Outros momentos maiores da nossa história.
Abril trouxe consigo inúmeros factores a seu favor e que entretanto a História se encarregou de registar: os direitos políticos, o desenvolvimento económico, a abertura de Portugal à Europa e ao Mundo, a libertação cultural, a descolonização, entre outros. Tudo isto e mais, muito mais, depois (passados cerca de 2 anos) vertido e assumido pela Constituição da República, como princípios estruturadores e, acima de tudo, estruturantes. O seu impulso transformador e transgressor molda a nossa responsabilidade e obriga-nos ao exercício de uma cidadania exigente e solidária, mas também insubmissa.
A uma suposta crise da democracia, respondemos sempre com mais democracia;
À crise das instituições, respondemos com mais transparência, rigor e responsabilidade;
À crise da participação, respondemos sempre com mais participação popular;
À crise do Estado social, respondemos sempre com mais Estado social;
Não nos resignamos perante a pobreza, perante a desigualdade social e perante essa calamidade que é o desemprego!
Não aceitamos uma economia que sobrevive da especulação bolsista, do incumprimento fiscal e da mão-de-obra barata, para não dizer, esclavagista!
Não pactuamos com os despedimentos selvagens, os encerramentos fraudulentos, o trabalho precário e sem direitos e com o bloqueio da contratação colectiva!
Recusamos a guetização dos imigrantes e a exploração clandestina da sua força de trabalho!
Rejeitamos uma Europa e um Portugal neoliberal, de serviços públicos mínimos!
Desassombrado e sem qualquer receio do consagrado mito do eterno retorno, afirmo aqui o nosso, o meu compromisso e cumplicidade com a Revolução.
Viva e Sempre PORTUGAL!
23 abril 2007
Dia do Livro e das Leituras
20 abril 2007
Um Vício de Boca
Tenho, isso sim, alguns prazeres. Considero-me até um viciado nesses prazeres, quase privados, que assiduamente vou cultivando, dos quais, aqui e agora, destaco, em género de confissão pública – um erro para quem ambições tem, uma vez que em público só as virtudes importam. Diariamente, ou quase, bem perto do serão – magnifica abstracção, o ritual em volta de um cachimbo adocicado com ervas holandesas e bebericado com um velho escocês de 12 ou mais de vida. Intimidade solitária e egoísta, esta minha.
19 abril 2007
17 abril 2007
Great Nation!
Vivemos um tempo, recheado de espaços onde, diariamente, se morre, se chacina, por muito ou por pouco, mas por alguma razão – religiosa, política, estratégica ou económica. De tantos exemplos que nos violam a intimidade, aprendemos a relativizar a desgraça e o sofrimento alheios, pois acontecem, normalmente, bem longe, insensíveis não nos dói. Agora aqui, neste caso, no “país” do mundo, morre-se porque se vai à escola, porque se vai às compras, porque se vai meter gasolina, enfim, porque se está no sitio certo, só que na hora errada.
God Bless America!
13 abril 2007
Podemos Aprender Sempre
06 abril 2007
6ª feira a santa
03 abril 2007
Guardas de Roma










